Seberg Contra Todos

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Sinopse

Em 1968, estrela mundial depois do sucesso de "Acossado", de Jean-Luc Godard, a atriz norte-americana Jean Seberg volta aos EUA. No avião, conhece Hakim Jamal, ativista ligado aos Panteras Negras, cuja causa ela passa a apoiar, inclusive financeiramente. Este envolvimento torna-a alvo do FBI, que promove uma campanha secreta para difamá-la.


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Crítica Cineweb

03/02/2020

Adicionando um exemplar à temporada de cinebiografias de atrizes de vida trágica - com Judy - muito além do arco-íris liderando o cortejo -, Seberg Contra Todos, de Benedict Andrews, tem como seu principal trunfo uma interpretação inspirada de Kristen Stewart revivendo Jean Seberg (1938-1979) e que se torna a grande razão para assistir ao filme.
 
Não são só o cabelo curtinho e tingido de louro e o figurino dos anos 1960 que aproximam Kristen de sua personagem. É muito mais a sua entrega e a paixão com que ela agarra cada minúcia de Jean que tornam simplesmente impossível desviar ao olhar cada vez que ela aparece na tela. Seus olhos filtram a energia, a rebeldia e a fragilidade de Jean, a luminosa musa de Acossado (1960), de Jean-Luc Godard, que saiu de Marshalltown, no Iowa, aos 17 anos, escolhida entre milhares de candidatas num casting internacional pelo diretor Otto Preminger para viver Joana D’Arc em Santa Joana (1957) - em cujo set um acidente com fogo deixou cicatrizes no corpo da jovem atriz, um episódio que é reencenado logo na abertura desta cinebiografia. 
 
Precoce não só para o estrelato, Jean logo se tornou sensível a causas sociais, tornando-se membro da NACCP (Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor) aos 14 anos. Alguns anos depois, em 1968, Jean vai assumir uma militância política mais intensa, doando dinheiro aos Panteras Negras, o que a tornou alvo de uma perseguição implacável do FBI. Um detalhe que, de um modo ou de outro, tornou sua vida breve.
 
Vivendo entre duas casas, uma em Los Angeles, outra em Paris, Jean volta aos EUA em 1968, deixando seu marido, Romain Gary (Yvan Attal) e seu filho, Diego (Gabriel Sky), para compromissos de trabalho. No avião, conhece Hakim Jamal (Anthony Mackey), ativista dos Panteras Negras, casado com uma prima de Malcolm X, e que se torna o intermediário da ligação da atriz com o grupo.
 
Envolvendo-se também amorosamente com Jamal, Jean não só realiza altas doações como promove em sua casa eventos para levantar fundos para os Panteras - que, naquele momento, enfrentavam vários processos e precisavam de muito dinheiro para sua defesa. A partir daí a atriz passa a ser seguida e espionada, tendo seus telefones grampeados pelo FBI, com o agente Jack Solomon (Jack O’Connell) à frente da missão. Toda essa espionagem tem por intuito neutralizá-la através de todas as formas de difamação possíveis.
 
O roteiro, de Joe Shrapnel e Anna Waterhouse, funciona na definição deste eixo principal, mas erra ao atribuir peso excessivo à figura do agente Solomon, ao contrário de outros, um personagem ficcional. Mostra-se inclusive suas atribulações familiares e matrimoniais, o que tem o efeito de apenas roubar do filme tempo precioso que deveria ter sido dedicado a outros aspectos da vida de Jean - que identifica a perseguição e passa a sofrer de uma progressiva instabilidade emocional, que a leva a depender de remédios. 
 
É doloroso testemunhar a paulatina destruição de uma mulher sensível, talentosa e corajosa, que não queria mais do que viver a própria vida em liberdade. Seus últimos dias, no entanto, foram vividos com medo e desespero, até uma morte misteriosa, em 1979, quando seu corpo foi encontrado num carro, em Paris, depois de um desaparecimento de 10 dias. A causa, um aparente suicídio, que até hoje é contestado por alguns biógrafos. Ela tinha apenas 40 anos. 

Apesar das irregularidades do filme, para Kristen Stewart esta foi uma experiência valiosa, já que aqui ela mostra que pode ir mais longe em sua carreira, sem desperdiçar seu talento em bobagens como Ameaça Profunda

Neusa Barbosa


Trailer


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