Luta por justiça

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Sinopse

No final dos anos 1980, o advogado negro Bryan Stevenson, formado em Harvard, decide mudar-se para o racista estado do Alabama, onde funda a Equal Justice Initiative, dedicando-se a assistir condenados à pena de morte no estado, a maioria negros e submetidos a processos cheios de irregularidades.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

29/01/2020

Algumas histórias não param de ser contadas, simplesmente porque, na vida real, não param de acontecer. É o caso do drama Luta por Justiça, em que o diretor Destin Daniel Cretton parte da autobiografia do advogado Bryan Stevenson para resgatar seu impressionante trabalho para resgatar condenados injustamente à pena de morte nos EUA.
 
Embora tenha suas cenas de drama de tribunal, o filme gira mais em torno do que vem antes dele, ou seja, das irregularidades dos processos que levam ao corredor da morte tantos inocentes - que um letreiro no final do filme anuncia que é o caso de um em cada nove condenados à pena capital nos EUA, um índice alarmante.
 
Uma das tarefas da história é apresentar Bryan Stevenson (Michael B. Jordan), um jovem negro de família modesta do Delaware que cursou direito em Harvard, um dos templos da elite branca do país. Ao contrário do que poderia sonhar - e do que sua mãe efetivamente esperava -, Bryan prefere mudar-se para o Alabama, estado sulista onde o passivo racista nunca foi superado, apesar de todos os esforços dos movimentos de direitos civis desde os anos 1960.
 
Munido de uma verba federal, Bryan vai fundar no estado a Equal Justice Initiative (Iniciativa Judicial Igualitária), organização sem fins lucrativos que visa dar assistência jurídica a necessitados, especialmente aos condenados à morte. No Alabama, a maioria deles são negros, pobres e às vezes sequer tiveram um advogado em seus processos. Ou então tiveram defensores que não se interessaram realmente em contestar investigações repletas de fragilidades e equívocos.
 
Nenhum exemplo mais eloquente disto do que o caso de Walter McMillan, conhecido como Johnny B. (Jamie Foxx). Em 1987, ele foi acusado do assassinato de uma jovem branca de 18 anos e condenado à pena de morte num processo baseado exclusivamente no depoimento de outro preso, Ralph Myers (Tim Blake Nelson), cheio de inconsistências, e nenhuma prova material.
 
Stevenson mergulha fundo neste caso, de início sem a cooperação do próprio Johnny B., que, depois de anos no corredor da morte, perdeu a energia para defender-se. Na pele deste homem acuado, Jamie Foxx esbanja talento, compondo uma personalidade complexa, de um homem endurecido pelo próprio sofrimento mas não incapaz de raciocínio e compaixão - especialmente por seus companheiros de sina no corredor da morte, Herb Richardson (Rob Morgan) e Anthony Ray Hinton (O’Shea Jackson Jr.). 
 
Neste segmento entre os três homens, consegue-se criar uma empatia pela situação humana de cada um, ainda que nem todos sejam inocentes. Herb, confessadamente, não o é - plantou uma bomba num local e acabou matando, sem querer, uma menina. Ainda assim, sua história, como um ex-veterano do Vietnã abalado pela síndrome de stress pós-traumático, desperta, no mínimo, respeito suficiente para ser ouvida.
 
Bem diferentes são os casos de Johnny e de Anthony Ray, este condenado por um duplo homicídio por um exame de balística capenga e por um promotor que lhe disse que “bastava olhar sua cara para saber que era um assassino”. 
Boa parte do filme registra o esforço do advogado para juntar evidências dos furos no processo de Johnny B., visando obter um novo julgamento. E é aí que o filme joga o máximo de sua energia.

Entre os pontos fracos, pode-se apontar o desperdício da talentosa Brie Larson, que pouco tem a fazer na pele de uma assistente do advogado, Eva Ansley. O foco fica todo mesmo em Bryan e Johnny, em seus altos e baixos para arrancar o segundo de um destino fatal que parece inevitável nesta cidade de Monroeville, Alabama, que foi o cenário do famoso romance O Sol é para Todos, de Harper Lee - cujo enredo, justamente, tratava do processo de um negro acusado de um crime contra uma mulher branca, nos anos 1930. O desdobramento do caso de Johnny B., no final dos anos 1980, mostra que a realidade custa muito a mudar, naquela cidade e em tantos outros lugares onde o racismo estrutural persiste doentiamente. 

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 07/03/2020 - 08h57 - Por Délia Costa Gostei muito do seu site - se vcs mandarem "lembretes" mandem para o meu e-mail, ok?
    Parabéns
    Délia
  • 09/03/2020 - 15h47 - Por Cineweb Obrigado pelos elogios, Délia.

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    Um abraço
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