O grito

Ficha técnica


País


Sinopse

Quando uma mulher volta de uma temporada no Japão, traz consigo, sem saber, uma maldição que a leva a matar a família e suicidar-se depois. Todos que entrarem na casa onde morou sofrerão do mesmo mal.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/01/2020

A primeira década do século XXI foi marcada pelo fenômeno do terror japonês e seus sucessivos e inevitáveis remakes hollywoodianos – O Chamado, O Grito, Água Negra (esse dirigido pelo brasileiro Walter Salles), entre outros. Como toda febre, passa, mas sempre deixa algum resquício, que agora, novamente, atende pelo nome de O Grito. Escrito e dirigido por Nicolas Pesce, esse reboot do remake (seja lá o que isso signifique) é ruim e desnecessário – tal qual a refilmagem americana de 2004.
 
Esse Grito é o tipo de terror para consumo rápido com curta data de validade que desperta interesse mais nos aficionados do gênero do que no público em geral. A trama não tem muito sentido em seu próprio universo, e é pedestre, tomando emprestados temas de outros terrores mais bem sucedidos. É a velha história da casa amaldiçoada que nunca esquece seus mortos e leva os vivos a cometer crimes.
 
Morando em Tóquio, Fiona (Tara Westwood) pega, inexplicavelmente, a maldição, e a leva para os EUA sem saber. Em casa, mata o marido, a filha pequena e se mata. Entra em cena um corretor imobiliário (John Cho) e sua mulher grávida (Betty Gilpin), que vai vender a casa, sem saber do crime que ocorreu ali (?!). O fato do bebê deles ser diagnosticado com ADL, uma doença genética rara, numa cena é desnecessário e de mau gosto, numa tentativa de adicionar algum drama aqui – sem razão para isso. Há também um homem idoso (Frankie Faison), que recebe uma mulher especialista em suicídio assistido (Jacki Weaver), que deverá ajudar a mulher dele (Lin Shaye). E, por fim, uma detetive de polícia, Muldoon (Andrea Riseborough), com seu filho pequeno (John J. Hansen) começando a vida numa nova cidade e num novo trabalho depois da morte do marido.
 
O fato dessas histórias – todas ligadas pela casa – serem contadas fora da ordem cronológica não faz de O Grito algo sofisticado ou bom, apenas o torna mais confuso, abrindo crateras numa trama que nunca primou por coerência interna. Há um personagem curioso em meio a tudo isso, o novo parceiro de trabalho da detetive, interpretado por Demián Bichir, que faz muito bem em se recusar a entrar na casa e só aparece na trama quando é preciso dar alguma explicação.
 
Esse tipo de terror envelheceu mal. Esses quase vinte anos que separam a onda de refilmagens do presente trouxeram – para o bem e para o mal – novos exemplares do gênero que, na maioria das vezes, reciclaram e atualizaram os clichês, enquanto alguns outros foram capazes de inovar – bem poucos, mas há alguns, vide os filmes de Jordan Peele. Assim, esta refilmagem do remake querendo ser um reboot ainda soa um tanto obsoleta e muito desnecessária. 

Alysson Oliveira


Trailer


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