Cicatrizes

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País


Sinopse

Vinte anos após seu filho ser dado como morto no parto, uma mulher nunca abandonou a ideia de que podem ter mentido para ela. Incapaz de levar uma vida tranquila com essa dúvida, ela conduz sua própria investigação.


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Crítica Cineweb

22/01/2020

Feridas históricas e cicatrizes pessoais encontram uma intersecção no drama sérvio Cicatrizes, dirigido por Miroslav Terzić, premiado nos Festivais de Pequim e Las Palmas. No drama contido e melancólico, destaca-se a interpretação interiorizada da iugoslava Snezana Bogdanovic, como uma costureira em busca do corpo de seu filho que, supostamente, morreu ao nascer.
 
Mesmo quase 20 anos depois do parto, Ana não se conforma com o desaparecimento, acreditando que pode haver por trás algo mais intrincado. Seu inconformismo, no entanto, é fonte de problemas para ela e o marido (Marko Bacovic), um vigia noturno compreensivo e amoroso que tenta tocar a vida, ao contrário de sua mulher, obcecada com o acontecimento do passado. Eles têm uma filha, Ivana (Jovana Stojiljkovic), cuja vida também sofre o peso da perda desse irmão caçula e da negligência de sua mãe com ela, ainda com a ideia fixa em busca do paradeiro do filho.
 
Com roteiro assinado por de Elma Tataragic (roteirista de Deus é mulher e seu nome é Petúnia), o filme transita entre o melodrama e o suspense, apoiando-se na performance intensa em sua contingência de Bogdanovic. A narrativa, por boa parte do tempo, coloca em dúvida a certeza que só ela tem de que seu filho está vivo, até que gradativamente somos convencidos a tomar partido dela. Tachada de louca (ela já foi internada), desacreditada, ameaçada pela polícia e médicos, Ana não consegue encontrar um descanso. Apenas um corpo – vivo ou morto – seria o ponto final.
 
A trama é baseada em diversas histórias reais de bebês roubados pouco depois do nascimento, numa rede envolvendo funcionários de hospitais e o governo na Sérvia, nas últimas décadas do século passado. Estima-se ter havido cerca de 1,5 mil roubos, que nunca foram completamente resolvidos. As histórias são, geralmente, como as de Ana: logo após dar à luz, a mãe era informada de que seu recém-nascido morrera e não poderia ver o corpo.
 
Em seu segundo longa, Terzić demonstra simpatia e generosidade por essa mulher de vida simples, com um trauma com o qual jamais consegue lidar. A trama guarda algumas surpresas e é honesta em sua conclusão, investigando um problema que nunca poderá ser resolvido plenamente.

Alysson Oliveira


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