Aves de rapina - Arlequina e sua emancipação fantabulosa

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Sinopse

Depois da traumática separação do Coringa, a Arlequina tenta reconstruir sua vida e sua identidade. Sozinha agora, ela se torna alvo de vingança por parte de vários marmanjos que prejudicou. E também vai ficar no caminho do vilão Roman Sionis, buscando enfrentá-lo com outras mulheres, como Canário Negro e a Caçadora.


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Crítica Cineweb

05/02/2020

Arlequina (Margot Robbie) supera definitivamente a relação doentia com o Coringa (Jared Leto) - vista em Esquadrão Suicida (2016) - e parte para outra em Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, filme de ação baseado em quadrinhos de Cathy Yan que crava sua estaca no caminho das produções deste gênero dirigidas e protagonizadas por mulheres empoderadas, fazendo companhia a Capitã Marvel (2019) e Mulher-Maravilha (2017). 
 
A tarefa aqui é mais complexa, afinal, Arlequina não é uma heroína com quem se possa conectar imediatamente: é bipolar, agressiva, imprevisível, abusa de bebida e substâncias ilegais e se comporta como louca na maior parte das situações. Entretanto, é justamente dessa mistura explosiva que se espera conseguir aqui um hit. Afinal, estes são tempos em que os valores estão deslocados e uma carga de sátira, por mais maligna e sanguinária que seja, parece ter espaço garantido no entretenimento, assim como na política. 
 
No começo da história, em que Arlequina repassa sua história numa ácida animação - e só aí o ex-, Coringa, aparece. Não está sendo fácil para ela superar o passado deste relacionamento desvairado, que a tirou de uma vida normalzinha, como psiquiatra do asilo Arkham, e lhe deu poder social, quando era a garota do Coringa. Sem querer dar spoiler, ela resolve mandar essas lembranças literalmente pelos ares. Mas, por estar sozinha agora, torna-se alvo de vingança por parte de uma série de marmanjos que ela prejudicou. E também da perseguição da policial Renée Montoya (Rosie Perez), uma profissional tão competente quanto discriminada por seus chefes machistas.
 
O tom da história, escrita por Christina Hodson, marca, na trajetória alucinada de sua protagonista, pontos de inflexão que lhe permitem fortalecer-se, inclusive fisicamente, para enfrentar um verdadeiro exército de machos ressentidos, que ela despacha num estilo caótico e espetacular. Tudo que está em volta, em geral, não fica de pé.
 
Essa adrenalina toda em alguns momentos pode até cansar, embora dê direito a algumas sequências visualmente empolgantes - como um duelo frenético de Arlequina contra vários inimigos no cenário de uma cadeia inundada pela água. De todo modo, o vilão-mor aqui é Roman Sionis/Máscara Negra (Ewan McGregor), apoiado pelo capangão Victor Szasz (Chris Messina),que cultiva o hábito de escalpelar suas vítimas.
 
Por essas e outras, a violência é muita, eventualmente excessiva, ao longo do filme, quase sem chance de respiro. É bem verdade também que o filme cresce quando a hiperatividade de Arlequina se enquadra num esforço de equipe feminina, ao lado da carismática Dinah Lance/Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell) e da Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), para salvar a própria pele e também da malandrinha Cassandra Cain (Ella Jay Basco), que roubou uma coisa que não devia. A sororidade é, finalmente, a melhor coisa quando funciona, embora, sendo um filme com a dramaturgia simplificada dos quadrinhos, não se possa esperar um manifesto feminista de verdade. 
 
Ao produzir e estrelar este filme, Margot Robbie mostra estar decidida a ocupar espaço numa época em que heroínas de ação estão em alta. Afinal, vêm aí os filmes-solo da Viúva Negra, outro Mulher-Maravilha e Batgirl.

Neusa Barbosa


Trailer


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