Bad boys para sempre

Ficha técnica


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Sinopse

A dupla Marcus e Mike há muito tempo é veterana nas ruas de Miami. Marcus está cansado e pensa na aposentadoria, para ficar mais perto da família, agora que seu neto nasceu. Mike não quer nem ouvir falar disso. Os dois acabam envolvidos na perseguição a uma perigosa gangue mexicana.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/01/2020

Reunir Martin Lawrence e Will Smith, ambos cinquentões em boa forma, para um último encontro na pele dos “bad boys” que eles começaram a encarnar em meados dos anos 1990 não pareceu tão boa ideia a Michael Bay, o diretor que conduziu os dois filmes, de 1995 e 2003. Tanto que ele não está presente neste terceiro capítulo da franquia, entregue à dupla de cineastas belgas Adil El Arbi e Billal Fallah.
 
O que parece esgotado há muito tempo é o próprio conceito da franquia, ou seja, estes dois policiais, Mike (Will Smith) e Marcus (Martin Lawrence), com toda essa adrenalina feroz e irresponsável pelas ruas de Miami, usando o Porsche de Mike como arma - afinal, ele corre como um piloto de Fórmula 1 pelas ruas da cidade, logo na primeira cena, apenas para levar o parceiro à maternidade para ver o seu primeiro neto recém-nascido. Além de não ser um traço de heroi, este comportamento nem mesmo é engraçado.
 
O grande problema deste terceiro capítulo da franquia é mesmo seu esgotamento - o que leva a pensar no porquê de sua realização, exceto pelo desejo de um lucro fácil, ancorado no carisma inegável de seus dois intérpretes, que aqui desperdiçam seu talento, numa trama atulhada de cadáveres e clichês.
 
O mais lúcido aqui é Marcus, que finalmente percebe que já deu dessa vida de policial matador e quer parar, dedicando mais tempo a si mesmo e à família. Ideia que horroriza o parceiro, um incansável imaturo, viciado nessa rotina de velocidade e violência, que nesta franquia é revestida de uma aura cômica que há muito deixou de funcionar. Em tempos como o nosso, não dá mesmo para normalizar, muito menos levar na brincadeira policiais impulsivos de dedo mole no gatilho.
 
Em todo caso, a parceria não pode ser desfeita tão rapidamente. Uma antiga conhecida deles, a vilã Isabel Aretas (Kate del Castillo), escapa da prisão, não sem antes promover ali um banho de sangue com direito a requintes de crueldade. De volta ao México, Isabel mobiliza seu filho, Armando (Jacob Scipio), para promover a vingança não só pela prisão da mãe, como pela morte do pai dele. 
 
Desobedecendo ordens da mãe, Armando começa tentando liquidar o próprio Mike - mas já sabemos que ele não pode morrer assim…. Marcus resiste, mas também sabemos que, uma hora ou outra, ele vai voltar à ativa para ajudar o amigão.
 
Poderia ser mais interessante o conflito de gerações que se instala entre Mike e um time de elite, comandado pela ex-namorada Rita (Paola Nuñez) - composto por Kelly (Vanessa Hudgens), Dorn (Alexander Ludwig) e Rafe (Charles Melton). Dos três, Kelly é a única que tem afinidade com os métodos arrasa-quarteirão de Mike. Dorn e Rafe são da turma que prefere usar mais tecnologia e inteligência do que tiros. Esse conflito cria alguma fricção e até humor, mas é claro que, no final, a fúria de Mike tem que prevalecer - apesar de que, justiça seja feita, no filme há um carinho um pouco maior por personagens femininas, como Rita e Theresa (Theresa Randle), a mulher de Marcus, do que nas edições anteriores da franquia.
 
Tudo se encaminha para um confronto final entre Mike e sua turma e a quadrilha mexicana - cuja chefona tem parte com a bruxaria, reforçando ainda mais os lamentáveis clichês contra os latinos -, que só pode fornecer aquele espetáculo de destruição desenfreada com que a franquia habituou seus fãs. Neste sentido, não desaponta. Em tudo o mais, sim.

Neusa Barbosa


Trailer


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