Antologia da cidade fantasma

Antologia da cidade fantasma

Ficha técnica


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País


Sinopse

Em uma cidade pequena e gélida no Canadá, a morte de um jovem num acidente de carro transforma a vida de todos. Teria sido mesmo acidente ou suicídio? Cada pessoa lida de uma forma com a tragédia, que abala a vida de todos.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

20/01/2020

Antologia da Cidade Fantasma é um filme que se dá no lusco-fusco entre o realismo e a fantasia, bem naquela fissura onde tudo é possível, assim, adquire um potencial de significado e representação bastante efetivo. Escrito e dirigido pelo franco-canadense Denis Côté (livremente inspirado no livro do escritor Laurence Olivier), o longa causa estrahamentos a cada momento porque toma o fantástico como real, numa pequena comunidade rural.
 
Numa paleta de cores pálidas e frias, transitando entre o cinza e o branco-neve, a fotografia granulada (assinada por François Messier-Rheault) é o primeiro contato que se tem com o filme, até que a calmaria é rompida por um carro que se choca contra uma parede de concreto. Acidente ou suicídio? Uma pergunta que dificilmente será respondida. A vítima é Simon Dubé (Philippe Charette), cuja morte dá início a uma série de acontecimentos na pequena Irénée-les-Neiges, em Quebec, de pouco mais de 200 habitantes.
 
Praticamente todos vão ao funeral, e a prefeita, Simone Smallwood (Diane Lavallée), faz uma fala ressaltando os laços que unem as pessoas nessa comunidade. O governador, por sua vez, acredita que todos estão muito abalados e insiste em enviar um psicólogo para ajudar com o luto, o que a prefeita recusa. Os mais abalados com a morte do rapaz são seus familiares: o irmão, Jimmy (Robert Naylor), e os pais, Gisele (Josee Deschenes) e Romuald (Jean-Michel Anctil) – este, sentindo-se incapaz de ajudar a mulher e o filho, pega o carro e sai, dirigindo sem rumo.
 
Figuras peculiares, com o rosto coberto com máscaras, começam a aparecer na cidade: mera imaginação ou pessoas querendo assustar? Cada um dos moradores e moradoras tenta reagir a isso, e encara o problema de uma maneira. Para piorar, há outra história trágica ali, quando, em meados dos anos de 1980, um pai matou seus quatro filhos e depois se suicidou. Não bastasse isso, Simon parece ter voltado do mundo dos mortos. Ou seria mera alucinação coletiva?
 
Ainda assim, com tantos espectros rondando Irénée-les-Neiges, não é esse o motivo dela ser chamada uma cidade- fantasma no título. Como tantos pequenos vilarejos e afins, o local luta contra sua extinção, contra o abandono coletivo das novas gerações em busca de uma vida mais vibrante e mais oportunidades nos grandes centros urbanos – a personagem Camille (Rachel Graton) é a materialização mais clara disso no filme. Mas a presença dos fantasmas também figura um convite à transformação. Adèle (Larissa Corriveau), jovem com sérios problemas emocionais, é quem parece estar mediando as relações entre os vivos e (supostamente) mortos.
 
A trilha sonora existe apenas nos créditos. Fora isso, Antologia da Cidade Fantasma é um filme que parece frio, num primeiro momento, especialmente pelo cenário gélido. Mas, por baixo da neve, há um caldeirão emocional pessoal e coletivo borbulhante, cuja ebulição pode ter vários significados, uma vez que Côté deixa seu filme aberto a interpretações.

Alysson Oliveira


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