A melhor juventude - Parte 2

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Sinopse

Giulia abandona Nicola e a filha, Sara, e adere às Brigadas Vermelhas. Enquanto isso, Matteo é transferido para Roma, para atuar nas investigações do grupo terrorista, que colocou em sua lista de jurados de morte Carlo, diretor de um banco, e cunhado de Giulia e Nicola.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

14/01/2020

Na segunda parte desta magnífica minissérie italiana, a vida da familia Carati é drasticamente transformada pelo engajamento de Giulia (Sonia Bergamasco) com as Brigadas Vermelhas, o que a leva a abandonar o marido Nicola (Luigi Lo Cascio) e a filha, a pequena Sara (Greta Cavuotti). O peso deste contexto histórico incide também sobre Matteo (Alessio Boni), policial convocado a Roma para atuar nas investigações. 
 
Uma das grandes qualidades desta produção, dirigida com segurança pelo veterano Marco Tullio Giordana, é como se insere este entorno social e político na intimidade da família, sempre revelada em longas sequências que demonstram sua forte ligação interna, sua ternura mútua e seus conflitos. Os personagens, mesmo secundários, são esplendidamente desenhados, formando um mosaico humano muito nítido, em que sobressaem também os melhores amigos dos Carati - como Carlo (Fabrizio Gifuni), que se casa com a caçula, Francesca (Valentina Carnelutti), e Vitale Micavi (Claudio Gioè), o ex-operário da Fiat que finalmente se tornou pedreiro após uma grande greve e posteriores demissões em massa.
 
Nestes detalhes, como a mudança na vida de Vitale, projeta-se sutilmente a virada no clima na Itália, que passa do otimismo com o crescimento econômico dos anos 1960 para uma crise econômica e política que se traduz não só na eclosão do terrorismo como da atuação desenfreada da Máfia, especialmente no atentado que matou o juiz Giovanni Falcone. O atentado, por sua vez, transforma novamente os Carati, quando Giovanna (Lidia Vitale), a juíza, se voluntaria para atuar na Sicília, região sacudida pela violência mafiosa, reação às investigações de Falcone. 
Ao contexto histórico, somam-se os conflitos íntimos da família, o principal deles, o turbilhão emocional de Matteo, que nem o envolvimento fugaz com Mirella (Maya Sansa) consegue apaziguar. Está traçado aí o caminho de uma grande tragédia no seio dos Carati.
 
O grande acerto desta minissérie está em como consegue sustentar a ideia de um tempo circular, da passagem das gerações, da inevitável transformação dos seres e das coisas de uma forma concreta, realista, sutil, com a emoção na medida, sem derramamento excessivo. Há um apuro na direção de atores que se manifesta nos mínimos detalhes, igualmente - e lembre-se que aqui está toda uma lista de jovens atores em seu começo de carreira, que depois viriam a tornar-se famosos, caso de Luigi Lo Cascio, Maya Sansa, Jasmine Trinca e outros.

O uso da música igualmente não se excede e os materiais de arquivo - noticiários reais, como do sepultamento do juiz Falcone - injetam uma dose de realismo bastante apropriado. É uma das grandes realizações na carreira deste diretor veterano, que igualmente assina outros dramas muito fortes, caso de Pasolini, um crime italiano (1995) - talvez o melhor já produzido sobre o brutal assassinato do cineasta Pier Paolo Pasolini, em 1975 - e Os cem passos (2000), uma denúncia sobre os crimes da máfia, a partir de um personagem real, o radialista Peppino Impastato (vivido por Luigi Lo Cascio). 

Neusa Barbosa


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