Um Lindo Dia na Vizinhança

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Sinopse

Jornalista cínico e premiado, Lloyd Vogel recebe de sua editora a missão de escrever um perfil de Fred Rogers, veterano apresentador de um popular programa de TV para crianças. Contrariado com o trabalho, ele vai conhecer um homem que terá o poder de tocá-lo emocionalmente e levá-lo a encarar pendências consigo mesmo e seu pai.


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Crítica Cineweb

13/01/2020

Tom Hanks cravou sua sexta indicação ao Oscar - desta vez, como ator coadjuvante - por este filme amoroso, que tem mira certa no público classificado como “toda a família”. Ninguém melhor mesmo para interpretar o famoso apresentador de programa infantil nos EUA, Fred Rogers (1928-2003), do que Hanks, um ator talentoso, capaz de interpretar múltiplos papeis e a quem não assentam papeis de vilão.
 
O sorriso e a bonomia de Hanks caem com perfeição para um retrato não fielmente autobiográfico de Rogers, que conduziu por 33 anos o programa “MisteRogers’ Neighborhood” no canal público PBS. Era aquele espécie de tio afetuoso, de vizinho simpático, em quem se pode confiar a toda hora, contando histórias e transformando-se no melhor amigo das crianças que o assistiam.
 
O filme da diretora Marielle Heller (de Poderia me perdoar) foca um episódio verídico, envolvendo Rogers e um jornalista, Tom Junod, que escreveu um perfil do apresentador para a revista Esquire há mais de 20 anos atrás. O encontro entre os dois estava destinado a mudar a vida do jornalista, que no filme é rebatizado como Lloyd Vogel (Matthew Rhys).
 
Há toda uma jornada de transformação à espera de Lloyd, um jornalista premiado e bastante cínico, que tem dificuldades de lidar com seus sentimentos. Carrega uma história familiar fraturada, em que figura um pai, Jerry (Chris Cooper), que abandonou a família. Lloyd e a irmã tiveram que cuidar sozinhos de uma mãe que ficou gravemente doente e finalmente morreu. Isto endureceu seu coração diante do pai, ainda que não tenha impedido Lloyd de constituir sua própria família, ao lado de Andrea (Susan Kelechi Watson).
 
O nascimento de seu próprio filho e a tarefa de entrevistar Rogers sacodem, mais do que o previsto, a aparente segurança de Lloyd. Nem o bebê, nem Rogers, afinal, seguem os protocolos que Lloyd está acostumado a encarar, apertando botões emocionais que o colocam em ponto de explosão. 
 
Há um sutil desafio no filme desta sensível diretora para encenar confrontos que são emotivos sem transbordar em excessos de pieguice. Neste sentido, ela pode contar com dois intérpretes capazes de sustentar seus respectivos papeis com equilíbrio na alternância de contenção e expressão. Rogers, afinal, demonstra o poder de quebrar a couraça emocional de Lloyd, sintonizando aquela criança interior ferida e desesperadamente necessitada de uma cura afetiva sem que, com isso, se torne nenhum guru de auto-ajuda. Hanks consegue suscitar do espectador mais desconfiado, gradativamente, uma confiança naquilo que se comprova uma genuína bondade, uma empatia por outro ser humano que se revela generosamente, sem ser invasiva.Na mão de outro ator que não tivesse os mesmos cuidados, o papel poderia facilmente ter caído numa caricatura, ou mesmo no ridículo. Mas Hanks, não. 

A outra ponta deste equilíbrio está em Chris Cooper que, na pele do pai que volta em busca de perdão, não desaponta. Intérprete refinado, Cooper desdobra as camadas de um homem que errou muito mas é capaz de honestidade diante de um filho naturalmente rancoroso. Jerry, tanto quanto Lloyd, são afinal os tipos de anti-herois com que a diretora gosta de lidar, como se viu em Poderia me perdoar?, que valeu uma indicação ao Oscar para Melissa McCarthy, na pele de uma falsária de cartas literárias. O filme é também uma espécie de estudo sobre as possibilidades da masculinidade, em várias chaves. Pena que as personagens femininas, como Andrea e Joanne (Maryann Plunkett), a mulher de Rogers, ainda que bem desenhadas, tenham menos espaço.  

Neusa Barbosa


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