Judy - Muito além do arco-íris

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Sinopse

Em 1968, a cantora e atriz Judy Garland enfrenta a ruína emocional e financeira. Perdeu sua casa e mal encontra trabalho, além de estar arriscada de perder a guarda de seus filhos. Aparece a oportunidade de uma turnê num cabaré em Londres e ela se vê na obrigação de aceitar.


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Crítica Cineweb

13/01/2020

Ganhadora do Oscar de melhor atriz - depois de vencer o Globo de Ouro - , Renée Zellweger assume a natureza de um verdadeiro caleidoscópio para encarnar as múltiplas faces da cantora e atriz Judy Garland em Judy - Além do Arco-Íris, naquela que, sem sombra de dúvida, pode ser descrita como a melhor performance da intérprete de Bridget Jones.
 
Cada face desse caleidoscópio, por mais sombrio que seja, guarda uma nuance de brilho. Através da interpretação porosa de Renée, enxerga-se os lados da personalidade da estrela que se digladiavam dentro dela: a mãe amorosa, a mulher insegura, carente de amor e dependente de remédios e bebida, a artista luminosa que nem sempre encontrava seu melhor tom, a criatura bipolar e instável capaz de, num impulso, botar a perder tudo que a sustentava. 
 
Judy estava nessa voltagem ciclotímica naquele final do ano de 1968, que é quando o roteiro de Tom Edge, adaptando peça teatral de Peter Quilter, a captura. Já não tinha mais casa e vagava com seus filhos menores, Lorna (Bella Ramsey) e Joey (Lewin Lloyd), por hoteis, até que sua inadimplência os colocasse na rua outra vez. Ser a estrela que era não pagava suas contas e ela estava pura e simplesmente na bancarrota, sem querer aceitar que o ex-marido, Sid Luft (Rufus Sewell), pai das duas crianças, ficasse com sua guarda. 
 
Nesse contexto, o convite para uma turnê em Londres, no cabaré Talk of the Town, era não só uma grande oportunidade de reerguer-se como sua única chance de ganhar dinheiro. Muitas vezes, por conta da bebida ou do que mais fosse, Judy já tinha abandonado trabalhos e se tornado inconfiável. Não havia mais lugar em Hollywood para uma de suas mais destacadas estrelas. 
 
O diretor inglês Rupert Goold tem a sabedoria de entregar o metrônomo do filme a Renée, que usa sua própria voz nos números musicais e compõe a personagem nos mínimos detalhes de sua linguagem corporal com uma entrega apaixonante. Não é só o cabelo escuro e curto, é todo um gestual que a possui em suas atuações no palco e fora dele, que permitem resgatar a aura de Judy em sua luz e sua sombra. É um tanto inquietante, por isso, compartilhar desta crônica de uma morte anunciada - Judy morreria poucos meses depois de sua turnê londrina, aos 47 anos. Sabemos que a cantora estava ardendo em suas últimas chamas. Por isso, é tão impactante o número em que Renée interpreta Over the Rainbow, quase como se ela fosse de cristal e o material lentamente se quebrasse diante de nossos olhos. 
 
Por outro lado, é de duvidosa eficiência a inserção das cenas em que a Judy adolescente de 16 anos (Darci Shaw) enfrenta os acessos ditatoriais de Louis B. Mayer (Richard Cordery), o todo-poderoso dono da Metro Goldwyin Mayer que a lançou ao estrelato - e foi dali que ela saiu viciada em pílulas para emagrecer, dormir e acordar para o resto da vida. Nem sempre e nem todas essas cenas realmente contribuem para um contraponto, ou uma explicação, para o que Judy se tornou na vida adulta. Uma inclusão mais sutil ou, quem sabe, mais onírica deste passado talvez fosse mais eficiente e até colaborasse para uma mágica maior do filme - que recebeu uma segunda indicação, ao Oscar de maquiagem e penteados (para Jeremy Woodhead).

Neusa Barbosa


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