O farol

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Sinopse

Thomas Wake, veterano guardião de um farol, e seu novo assistente, Ephraim Winslow, chegam à ilhota isolada que abriga esse farol, onde deverão permanecer isolados durante alguns meses. Confrontados pela solidão e um clima tempestuoso, os dois vão manifestando sinais crescentes de loucura.


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Crítica Cineweb

17/12/2019

A atmosfera é tudo nos filmes de horror de Robert Eggers, o diretor revelado na estreia, A Bruxa (2015), que prossegue em sua aclamada carreira em O Farol, um dos títulos mais comentados no Festival de Cannes 2019 - onde integrou a mostra Quinzena dos Realizadores.
 
Assim como em sua obra de estreia, Eggers aposta no minimalismo nesta nova história, ambientada no cenário único de uma desolada ilhota na Nova Inglaterra, em meados de 1890, que deverá ser o lar para dois homens, Thomas Wake (Willem Dafoe) e Ephraim Winslow (Robert Pattinson), respectivamente, o guardião do farol e seu ajudante.
Mais do que sustos, o diretor e corroteirista (ao lado de seu irmão, Max Eggers) investe na criação de um clima de tensão psicológica crescente, que se instala a partir do isolamento destes personagens, num ambiente sombrio e desolador, uma ilhazinha vulcânica, desprovida de vegetação, com caminhos lamacentos e permanentemente assolada por tempestades. O sol é ausente, assim como as mulheres, eventualmente evocadas como lembranças fantasmas nas conversas dos dois homens.
 
A princípio, não há muita conversa - é mais um monólogo noturno quando, à mesa do jantar, Thomas fala sem parar, impondo sobre o subordinado taciturno um discurso que procura a submissão e a humilhação. Mais jovem, Winslow não domina os códigos deste ambiente, todos nas mãos de Thomas, que lhe exige uma jornada infernal de trabalho físico incessante, recolhendo carvão, limpando as cisternas, caminhando sobre caminhos tortuosos e escorregadios. Neste mundo sem sol, a única luz é a do farol, cujo acesso é vedado a Winslow. Thomas guarda a chave e não lhe permite a entrada, em mais uma proibição. 
 
A natureza é sombria. Mesmo as gaivotas, únicos animais à vista, são sinistros, como Winslow não tardará a aprender, numa sequência que traz à mente Os Pássaros, de Alfred Hitchcock. Ainda assim, Thomas o adverte que nunca mate uma gaivota; é de mau agouro.Não será o único aceno ao sobrenatural: haverá ainda o vislumbre da enigmática sereia (Valeriia Karaman).
 
Com estes cenários expressionistas, acentuados pela fotografia em preto-e-branco (como em A Bruxa, assinada por Jarin Blaschke), remetendo a claustrofobia, isolamento e solidão, estabelece-se uma história em que o enredo, mínimo, obedece ao estilo. Assim sendo, cabem múltiplas interpretações sobre as interações cambiantes entre estes dois homens, que mudam de temperatura à medida que convivem por mais tempo, esgarçando os controles e expondo as várias facetas de dois indivíduos de formações e idades diferentes, mergulhando na loucura propiciada por um isolamento que parece não ter dia para terminar. 

Embebido de referências cinematográficas e literárias passadas, O Farol pode ser lido como um conto gótico em que o ambiente subjuga os personagens, algo assim como o Jack Torrance do Overlook Hotel, em O Iluminado (80), ou Norman Bates assombrando e sendo assombrado pelo Bates Motel, em Psicose (1960) - não por acaso, dois filmes permeados por um exercício de loucura autorreferente em torno da masculinidade tóxica. 

Neusa Barbosa


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