E então nós dançamos

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País


Sinopse

Merab dança desde pequeno num grupo de tradcional dança georgiana, assim como seu pai. Sua parceira é Ana, também dançando desde menina. A chegada de um novo bailarino, Irakli, cria tensões pessoais, por rivalidade e também uma proibida atração entre os dois garotos.


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Crítica Cineweb

10/12/2019

Representante sueco na disputa de uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro 2020, trata-se de um drama mergulhado nas raízes georgianas do diretor e roteirista, Levan Akin. É o primeiro longa falado em georgiano deste sueco filho de de pais nascidos na república que fazia parte da URSS, em que ele se dispõe a confrontar questões da identidade nacional que ele observa com curiosidade, ao mesmo tempo dentro e fora dela.
 
Nasceu da notícia da repressão a uma Parada Gay em Tbilisi, em 2013, a vontade de Akin de escrever uma história sobre o preconceito contra a homossexualidade, o que ele faz de maneira peculiar, ambientando-a nos bastidores de um grupo de dança tradicional georgiana.
 
Trata-se de um ambiente cobiçado e competitivo, já que muitos jovens, de todas as classes sociais, almejam integrar o balé nacional do país. Um deles é Merab (Levan Gelbakhiani), que pratica a dança desde pequeno, tendo como parceira Mary (Ana Savakishvili). A rotina é exaustiva, o professor pratica bullying com suas exigências e tratamento rude. E Merab também tem que desdobrar-se, correndo para um emprego como garçom de restaurante para ajudar a manter a família, que mora num apartamento apertado, em que se amontoam a mãe, a avó, Merab e o irmão.
 
Num grupo de dançarinos adolescentes em plena explosão hormonal, a tensão sexual está à flor da pele. Há uma expectativa declarada de Mary de ter sua primeira experiência com Merab, com quem ela compartilha tanta proximidade física. Mas a chegada de um novo bailarino, Irakli (Bachi Valishvili), muda a temperatura do grupo.
Uma nova rivalidade se declara com a chegada do novato, ainda mais depois que se anuncia a disputa pelo posto de um bailarino no grupo principal. Outros desejos insinuam-se entre Merab e Irakli, que não podem declarar-se. Mais de uma vez, o professor critica a delicadeza de Merab na dança e comentários no grupo aludem à expulsão de um outro bailarino por homossexualidade.
 
Fotografia (Liseb Fridell) e montagem (Levan Akin e Simon Carlgren) estruturam uma narrativa clara desta trajetória de desejos que muitas vezes dispensa palavras e recorre a imagens - e a dança é uma linguagem sensual por natureza, capaz de declarar eloquentemente as questões que percorrem a história.
 
Não há propriamente uma novidade neste enredo, a não ser seu tratamento neste contexto geográfico, em que ele assume um caráter de observação da natureza de um povo que parece extremamente aguerrido e emocional. Há todo um subtexto sobre a vida cotidiana na Geórgia nesta observação dos prédios de apartamentos acanhados onde moram alguns dos personagens, assim como a exploração de relações familiares muito explosivas e do fatalismo dos destinos de tantos jovens, empurrados a um casamento precoce e ao alcoolismo. 
 
Há pelo menos um diálogo muito marcante, entre Merab e seu irmão, que pontua uma maior profundidade neste retrato de passagem à vida adulta que, apesar das peculiaridades, guarda tanta semelhança com a juventude de outras partes do mundo.

Neusa Barbosa


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