História de um Casamento

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Sinopse

Depois de anos juntos, o casamento entre Nicole e Charlie acabou. Ela se muda para Los Angeles, onde começará a trabalhar numa série de televisão, e ele pretende continuar em Nova York, fazendo teatro. Mas a separação não ocorre como os dois esperavam.


Extras

Em exibição no Netflix.


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Crtica Cineweb

06/12/2019

História de um casamento poderia muito bem se chamar História de um divórcio, haja vista que o longa é exclusivamente sobre o processo de separação de um casal. Estaria, então, o diretor e roteirista Noah Baumbach dizendo que o que define um casamento é como ele termina? Todas as alegrias, sorrisos e conquistas mútuas seriam apagadas quando as agressões físicas e verbais, as disputas financeiras e pela guarda do filho tomam conta do relacionamento, tornando-se definidoras?
 
Baumbach ganhou respeito e uma indicação ao Oscar de roteirista com A Lula e a Baleia (2005), seu terceiro longa, sobre o divórcio de seus pais. Agora, quase 15 anos e um punhado de filmes depois, que nunca se encontraram direito, ele volta a chamar a atenção com este drama agridoce, inspirado no seu divórcio da atriz Jennifer Jason Leigh. O longa entrou em competição no Festival de Veneza e foi incluído entre os 10 melhores filmes do ano do National Board of Review, além de vários outros prêmios e estar cotado para o Oscar em diversas categorias.
 
Com pouco mais de duas horas, História de um Casamento é um filme doloroso sem que nunca sua dor seja gratuita. É a história do fim e de tudo que emerge nesse momento. Nicole (Scarlett Johansson) é atriz de teatro off-Broadway que fez sua carreia com as peças de vanguarda do marido, Charlie (Adam Driver). Ela poderia ter feito uma carreira no cinema na sua terra natal, Los Angeles, mas se mudou para Nova York quando se apaixonou. Casaram, tiveram um filho, construíram uma reputação.
 
A disputa pela cidade onde morar – ela quer voltar para Los Angeles, onde tem a mãe e a irmã, e também irá fazer um programa de televisão; ele quer continuar em Nova York – é mero pretexto para simbolizar, dentro da narrativa, as disputas pela visão de mundo de Nicole e Charlie. Talvez seja uma discussão um tanto distante para quem não está nos EUA – a rivalidade LA, NY – mas, tomando isso pelo plano simbólico, é revelador.
 
Driver procura o que pode haver de mais humano em cada um de seus personagens, e é aí que as fragilidades vêm à tona. A cena diante do juiz com os advogados de cada lado (Laura Dern, vencedora do Oscar de coadjuvante, e Ray Liotta), jogando tudo no ventilador, começa, de certa forma, cômica, até que quanto mais baixos são os golpes, mais dolorosa ela se torna. Talvez seja assim que Baumbach organize toda a narrativa do seu filme: encontrar o que há de cômico (às vezes, inusitado) até que deixa de ser assim e se torne doloroso.
 
A combinação dos tons, que muda com rapidez, encontra respaldo nas intepretações sólidas da dupla central. Fala-se muito de Driver, que tem se tornado favorito em muitos prêmios, mas é Johansson a força do filme. É Nicole quem quer a mudança, a ideia da separação parte dela e, a priori, ela seria uma personagem pouco simpática. Mas Baumbach e a atriz injetam tanta humanidade nela, que ela é frágil e forte, ao mesmo tempo, encantadora e antipática – enfim, humana. Essa dicotomia, no entanto, nem sempre acontece com o personagem masculino, já que o filme assume o ponto de vista dele e tem a tendência de transformá-lo  num mártir. Dramaturgicamente falando, Charlie é um pouco mais sem graça do que Nicole, que se mostra mais dotada de nuances.
 
História de um casamento lembra que toda história de amor parece igual, mas é só quando termina que as especificidades de cada casal emergem com mais força. Anos de união e cumplicidade podem ser esquecidos quando o que se está em jogo é quem vai passar mais tempo com o filho. 

Alysson Oliveira


Trailer


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