Brooklyn - Sem pai nem mãe

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Sinopse

Leonel é um detetive com síndrome de Tourette, o que o transforma numa figura peculiar, e dotada de incrível memória. O assassinato de seu chefe desencadeia uma investigação que o leva a uma rede de corrupção e influência na Nova York dos anos de 1950.


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Crítica Cineweb

27/11/2019

A obra que serviu de base para Brooklyn: Sem Pai Nem Mãe – o romance homônimo de Jonathan Lethen, publicado em 1999 – situa sua trama no final dos anos de 1990. Edward Norton, diretor, roteirista, produtor e protagonista da adaptação, introduziu uma mudança significativa: voltar no tempo e ambientar a história no final dos anos de 1950. Isso deixa muito claro o que ele tinha mente aqui: um noir retrô, com o olhar no passado, mas um comentário sobre o presente. Com isso, fez um filme melhor em partes do que no conjunto. De qualquer forma, o resultado é um longa que se recusa a se entregar a um presente frenético e opta (às vezes, teimosamente) por manter seu ritmo próprio.
 
"Brooklyn" é o apelido de Lionel Essrog (Norton), detetive particular de uma agência comandada por Frank Minna (Bruce Willis), o homem que o tirou do orfanato quando pequeno, tornando-o seu protegido. O assassinato de Frank desencadeia uma série de acontecimentos que levam o protagonista a investigar a morte, esbarrando numa trama envolvendo corrupção e poder. É, basicamente, mais ou menos, a sinopse de qualquer noir, da qual Norton parte para construir uma narrativa nem sempre clara, mas mais longa do que devia – 150 minutos é um tanto demais, tornando o filme algumas vezes redundante ou sem rumo.
 
Lionel tem síndrome de Tourette, que faz seu cérebro funcionar de uma maneira peculiar, gerando, inclusive tiques verbais e físicos – sem qualquer motivo, ele fala frases sem sentido ou palavrões. Poderia servir de motivo cômico, mas Norton é respeitoso e nunca faz do personagem e sua condição neuropsiquiátrica motivo de piada – embora os outros personagens possam rir dele e chamá-lo de "Show de Horrores". A síndrome aqui torna-se, ao seu modo, o “superpoder” do detetive, sua capacidade fora do comum de memorizar coisas e organizar pensamentos, o que o leva às profundezas de sua investigação.
 
O nêmesis que ele encontra é baseado numa figura real, Moses Randolph (Alec Baldwin), um urbanista que está, digamos, reformando Nova York (um personagem inspirado em Robert Moses, que, aliás, apresentou um projeto de construção do metrô de São Paulo, nos anos de 1950), e isso inclui a desapropriação de várias favelas – a legenda do filme usa a palavra “favelas”, mas talvez “cortiços”, na verdade, fosse mais apropriada. No fundo, isso encobre uma rede de corrupção que está ligada, obviamente, ao assassinato de Minna.
 
A personagem feminina, nessa releitura noir, não é uma loira platinada femme fatale, mas uma afroamericana empenhada na causa da desapropriação. Ela é Laura Rose, interpretada com graça e sagacidade por Gugu Mbatha-Raw, com quem, inevitavelmente, Leonel irá se envolver, juntando diversos fios da trama, que inclui uma mulher que perderá sua casa (Cherry Jones, grande, como sempre) e um sujeito revoltado e repleto de segredos, interpretado por Willem Dafoe, que possivelmente seja o personagem mais mal-resolvido do filme.
 
A trama que se abre é intrincada, como acontece com o gênero, beirando seus similares Chinatown e À beira do abismo. Mas, por mais que Norton seja um diretor talentoso com senso para composição de cenas e personagens, ele não está no mesmo nível que Roman Polanski e Howard Hawks. Seu filme – um projeto no qual ele trabalha há cerca de duas décadas – é caprichado na direção de arte e fotografia (assinada pelo veterano Dick Pope, parceiro de Mike Leigh em vários filmes), e bem-intencionado. Mas faltou um algo a mais para ser grande como poderia.

Alysson Oliveira


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