Uma segunda chance para amar

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Sinopse

Kate e sua família emigraram da Iugoslávia para a Inglaterra no final dos anos de 1980. Hoje, ela sonha em ser cantora, mas trabalha numa loja de decorações de Natal. Sua vida parece um beco sem saída até que conhece um desconhecido misterioso.


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Crítica Cineweb

13/11/2019

Last Christmas ganhou um título genérico no Brasil: Uma segunda chance para amar, o que faz bastante justiça ao filme – uma comédia romântica genérica iluminada por luzes natalinas e colorida em tons de verde, vermelho e branco-neve. Como se percebe, é um filme comum, mas aspirando a ser profundo com suas intenções escritas num cartão de Natal de supermercado.
 
O título (o original, é claro) vem de uma música de George Michael cujo cancioneiro é uma espécie de inspiração aqui. Supostamente, o roteiro – escrito por Emma Thompson e Bryony Kimmings, a partir de uma história de Thompson e seu marido, Greg Wise – pretende homenagear o cantor e também o filme Simplesmente amor. Mas, no fim, faz um pastiche de ambos sem encontrar seu próprio tom. A canção originalmente gravada quando Michael fazia parte da dupla Wham, com Andrew Ridgeley, começa dizendo: “No Natal passado, eu dei a você o meu coração”, e o filme vai levar, como se perceberá a certa altura, algumas coisas ao pé da letra.
 
Dirigido por Paul Feig – responsável por uma das melhores comédias românticas desse jovem século, Missão Madrinha de Casamento – o longa conta com a sorte de ter como protagonistas um casal carismático que tem o azar de estar num filme ruim, mas que deverá fazer sucesso. Kate (Emilia Clarke) é uma iugoslava que cresceu cantando George Michael no coro da igreja em sua terra natal, imigrou para a Inglaterra com a família, e sonha em ser cantora de musicais. No entanto, ela está fadada a conseguir um trabalho numa loja de enfeites natalinos que fica aberta o ano todo e pertence a Noel (Michelle Yeoh, como sempre, sensacional).
 
A garota leva uma vida desregrada e sem sucesso, com problemas bem sérios com a mãe (Emma Thompson) e nunca se deu bem com a irmã (Lydia Leonard). A chegada de um desconhecido chamado Tom (Henry Golding) mudará tudo. Ele tentará ajudar Kate a encontrar um rumo. Ele é atencioso e um tanto apaixonado, mas some e volta sem muita explicação. Ele é um sujeito que parece vindo de outro tempo – nem celular ele tem. Como era de se esperar, Kate muda e começa a levar uma vida mais moderada, a fazer as pazes com as pessoas que machucou, e se torna até voluntária num abrigo de sem-teto. Enfim, ela se ilumina. Mas não para por aí. O roteiro reserva uma surpresa para a reta final, desafiando a lógica e o bom-senso.
 
Tão sem sentido também são todos os estereótipos que desfilam na tela – especialmente do leste europeu, mas também asiáticos e de origem africana. A mãe de Kate, Petra, é interpretada por Thompson sem qualquer sutileza, sem muita generosidade – o que é de se espantar, dado o calibre da atriz, que escreveu o papel para si mesma. Era para ser algo cômico, mas chega a constranger. Há momentos em  que o filme pretende ser sério, especialmente quando ingleses maltratam imigrantes – haveria aí uma crítica social. É uma cena em que Kate, finalmente, parece fazer as pazes com sua origem eslava, mas soa forçadamente como uma agenda liberal mal resolvida dentro do filme.
 
Esse ano tem sido o ano em que músicas queridas se transformaram em desculpa para filmes – além deste, Yesterday, Rocketman, A música da minha vida (originalmente Blinded by the Light, a partir de Bruce Springsteen) e Bohemian Rapsody, do ano passado. São filmes que se valem da memória musical afetiva para a manipular. E não há nada de errado numa manipulação cinematográfica quando bem feita – do contrário, é mero oportunismo. No caso de Uma segunda chance para amar, o filme também corre o sério risco de ser taxado como um exercício de homofobia. É um filme careta e heteronormativo demais para fazer tributo à obra e ao espírito de George Michael.

Alysson Oliveira


Trailer


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