A camareira

Ficha técnica


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Sinopse

Eve é uma jovem camareira de um hotel de luxo. Ela tem um filho, que é obrigada a deixar com uma cuidadora e com quem ela mal fala ao telefone. No dia a dia, ela vive invisibilizada por uma função em que ela não tem possibilidade de afirmação.


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Crítica Cineweb

07/11/2019

Representante do México na disputa de uma vaga no Oscar de filme estrangeiro, A Camareira, de Lila Avilés, é um retrato sutil da invisibilidade de uma mulher, Eve (Gabriela Cartol), que sintetiza o apagamento determinado por preconceitos de gênero e de condição social naquele país.
 
Parte desta invisibilidade decorre de sua própria profissão – Eve é uma jovem camareira, trabalhando num hotel de luxo. Sua eficiência profissional é medida exatamente por essa capacidade de, nos bastidores, quando os hóspedes não estão, apagar silenciosamente os sinais de sua passagem, deixando o ambiente antisséptico, quase como se por magia, como se ela não existisse. A camareira, por excelência, deve ser aquela que nunca se vê, que não perturba, que não demonstra vestígios de sua existência, num prolongamento de uma função de mucama, de escrava, de doméstica. Quando sua presença se faz notar, a percepção à sua volta é de que algo está errado – ela passa a existir, reclamando um lugar nessa sociedade que insiste em relegá-la para baixo do tapete.
 
Os sonhos de Eve são miúdos – um vestido vermelho, esquecido por uma hóspede, que deve cumprir um prazo de permanência no setor de Achados e Perdidos; os papeis de embalagens dos artigos consumidos pelos hóspedes, deixados para trás, que são seus pequenos e furtivos troféus, guardados nos bolsos, como se num consumo mediado. A vida toda de Eve, aliás, é por mediação – ela está em contato com o conforto, mas nada ali lhe pertence, tudo é emprestado, provisório. Quase nada ela pode viver diretamente, nem mesmo o contato físico com o filho. Morando longe e trabalhando longas horas, na maior parte do tempo ela tem que se contentar em ouvir a voz do menino ao telefone.
 
Com muita propriedade, a diretora aposta nas imagens de sua protagonista em interações com o ambiente que ela habita em posição subalterna, num retrato da impossibilidade de suas aspirações. O máximo de ascensão que está ao seu alcance é pleitear a arrumação do 42º. andar, mais luxuoso do que o 21º que é atualmente sua responsabilidade.
 
Determinados por este universo, seus relacionamentos afetivos também são quase inexistentes. Totalmente introvertida, Eve tem dificuldade em se expressar entre os colegas, como os empregados do hotel que fazem um supletivo com um professor. Sua atração por um colega também é entrecortada por olhares, por jogos de observação truncados, sobre os quais pesam igualmente resquícios de uma mentalidade machista. A grande luta de Eve é, portanto, reivindicar a posse da própria vida e passar a existir – o que não parece possível dentro do espaço hermético deste hotel, uma metáfora de uma sociedade estratificada e regulada por artificialidades, que não leva em conta realmente as necessidades de todos.

Neusa Barbosa


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