Sefarad

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Sinopse

Em meados de 1923, o capitão do exército Arthur Carlos Barroso Basto empenha-se numa dupla tarefa em prol da comunidade judaica no Porto, Portugal: resgatar os criptojudeus que viviam clandestinos nas aldeias do norte do país, 400 anos depois do édito real de expulsão dos judeus, e construir uma grande sinagoga.


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Crítica Cineweb

04/11/2019

Conhecido em Portugal pela trilogia cômica Balas e Bolinhos - da qual o segundo filme foi a produção nacional mais vista pelos portugueses em 2004 -, o cineasta Luís Ismael investe numa guinada em sua carreira ao dirigir Sefarad, um drama histórico que resgata as memórias da comunidade judaica do Porto.
 
Fornecendo um contexto histórico, o filme situa a história dos judeus portugueses a partir do século 15, quando o Porto foi brevemente uma pequena Judeia, em que cristãos e judeus expulsos da vizinha Castela, Espanha, conviviam em paz. Por pouco tempo, porém. Num ambiente em que a Inquisição predomina, o rei D. Manuel assina em 1496 um édito expulsando judeus e mouros, que devem deixar o país até dezembro de 1497. 
 
Muitos o fazem, imigrando para outros países. Enquanto isso, os que permanecem, ao longo de quatro séculos, convertem-se ao cristianismo, alguns só de fachada, mantendo em segredo seus rituais - são os chamados “marranos”, ou criptojudeus.
 
Em 1923, um capitão convertido ao judaísmo, Arthur Carlos Barroso Basto (Rodrigo Santos), dispõe-se a mudar essa história de clandestinidade, movendo esforços para reorganizar a comunidade judaica do Porto às claras. Mas o capitão sonha mais alto - quer também localizar e integrar esses pequenos núcleos judaicos escondidos em diversas aldeias ao norte de Portugal.
 
O filme é, então, o retrato dos esforços do capitão no sentido de integrar os criptojudeus à comunidade oficial, o que não se faz sem resistências de parte a parte. Ao longo dos séculos, os criptojudeus alteraram seus rituais profundamente, rezando em português, não em iídiche, e deixando de realizar os estudos da Torá e também a circuncisão. O capitão procura superar essa divergência criando um Instituto Teológico Israelita no Porto, para onde atrai jovens das comunidades do interior para estudos e posterior volta a elas, para uniformizar sua formação. 
 
Toda essa movimentação do capitão não passa despercebida num meio em que o antissemitismo não está superado e ele acaba submetido a um processo no exército - em que sua realização de circuncisões é considerada “ato imoral”, culminando em sua expulsão, em 1937, num caso que foi comparado ao do capitão francês Alfred Dreyfus. Barroso Basto é, aliás, conhecido como “Dreyfus português”. 
 
A figura de Barroso Basto também é identificada como central no esforço da construção da sinagoga Kadoorie Mekor Haim, no Porto, a maior da península ibérica e que funcionou como abrigo de judeus fugidos do nazismo durante a II Guerra Mundial. 
 
Com um tom sóbrio, o filme atende a uma evidente função didática, trazendo informações sobre a não tão conhecida presença dos judeus em Portugal. Em termos narrativos, ressente-se de uma certa rigidez no roteiro e nas interpretações, além de não esclarecer suficientemente as circunstâncias da conversão do capitão ao judaísmo - ele que descobriu tardiamente, pelo avô, as raízes judaicas da própria família.

O filme será precedido da exibição do curta The Nun’s Kaddish

Neusa Barbosa


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