Luta de classes

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País


Sinopse

Sofia e Paul decidem mudar-se do centro de Paris para Bagnolet, subúrbio ao norte da capital. A expectativa de uma vida mais calma se dilui quando Corentin, o filho de 9 anos do casal, passa a enfrentar problemas quando se matricula na escola pública local, em que a maioria dos alunos são muçulmanos, que o atormentam porque ele e seus pais não têm religião.


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Crítica Cineweb

14/10/2019

Michel Leclerc é o tipo do diretor que gosta de cutucar a onça com vara curta, mas sempre pela chave da ironia. Depois do delicioso Os nomes do amor (2010) e Anos Incríveis (2012), ele encara mais uma vez a polarização política na comédia Luta de Classes - colocando o panelão de diversidade étnica e religiosa da França atual para ferver numa pequena escola pública primária em Bagnolet, subúrbio ao norte de Paris.
 
O casal Sofia Belkacem (Leila Bekhti) e Paul Clément (Édouard Baer) simboliza em si mesmo essas diferenças - Sofia é de origem árabe e família muçulmana, Paul, de família cristã. Os dois, no entanto, entram no figurino esquerdista/progressista: não são casados legalmente, mantêm distância de qualquer religião e criam seus filhos na mesma toada.Paul, além do mais, é um velho roqueiro de banda punk, contestador do capitalismo ao ponto de querer recusar vender seu apartamento, no centro de Paris, com lucro ao fim de dez anos para poder comprar sua casinha no subúrbio. 
 
Mas a grande chave do filme, escrito com a habitual inteligência pela dupla Leclerc/Baya Kasmi (sua parceira em Os nomes do amor), é a possibilidade de conciliação, diante de um ambiente em que todas as diferenças possíveis explodem - como numa sala de aula de escola pública suburbana em que alunos de religiões e origens étnicas diferentes ocupam o mesmo espaço republicano e laico.
 
A simples escolha do menu da cantina escolar, em que se deve decidir se oferecer ou não carne de porco, vira um processo delicado de consulta aos alunos. A professora, a srta Delamarre (Baya Kasmi) quase surta, diante de seus pruridos politicamente corretos para conseguir falar disso com as crianças sem ofender ninguém.
 
O progressismo do casal Sofia e Paul é testado quando seu filho, Corentin (Tom Lévy), de 9 anos, enfrenta problemas de adaptação na escola. Vários coleguinhas muçulmanos o atormentam, dizendo que ele irá para o inferno por não acreditar em Deus. Para piorar, seus amigos mais próximos foram transferidos pelos pais para uma escola particular e católica - para horror de Sofia e Paul, que recusam colocar o filho numa espécie de bolha, de mundo à parte.
 
Leclerc explora com humor os limites da convivência entre diferentes posições políticas e valores num microcosmo da sociedade francesa. O fato de que várias situações são vividas por crianças torna tudo mais leve - mas não compromete a seriedade da discussão que o filme procura levar adiante. Troque-se Bagnolet por São Paulo, muçulmanos por evangélicos e por aí adiante e se verá como a conversa do filme é mesmo universal.

Neusa Barbosa


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