O juízo

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País


Sinopse

Abalado por uma crise pessoal e financeira, Augusto parte para a velha fazenda herdada do avô, com sua mulher, Tereza, e o filho adolescente, Marinho. Mas o local está impregnado de misteriosas presenças, que pairam na história da família.


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Crítica Cineweb

09/10/2019

Com uma obra variada, que passa pelas comédias (Eu Tu Eles) e documentários (Maria Bethânia: Pedrinha de Aruanda), além de dramas como Casa de areia e Sob Pressão (que rendeu uma série), o diretor Andrucha Waddington arrisca-se por um gênero novo, o suspense sobrenatural, neste novo trabalho, O Juízo - uma operação em família, em que o roteiro original é de sua mulher, Fernanda Torres, com participação da sogra, Fernanda Montenegro, e marcando a estreia cinematográfica do filho do casal, Joaquim Torres Waddington.
 
O início da trama remete ao passado colonial, apenas para criar o núcleo de uma pendência que perdura por séculos, envolvendo a família que é dona de uma fazenda. No tempo atual, é para lá, um lugar remoto e há muito abandonado, que se dirigem Augusto Menezes (Felipe Camargo), sua mulher Tereza (Carol Castro) e o filho adolescente, Marinho (Joaquim Torres Waddington).
 
Ficar ali é uma espécie de viagem no tempo, já que a fazenda não tem luz e o acesso é difícil - o carro deve atravessar um túnel, a partir do qual só existe uma estrada com trechos de terra e potencial para tornar-se intransitável sob chuva. A mudança radical é a esperança de um renascimento. Augusto espera deixar para trás fracassos pessoais e profissionais, reinventando-se com uma nova atividade, a pesca de trutas. Ou assim ele diz à mulher.
 
Amparado na fotografia de Azul Serra e na direção de arte de Rafael Targat, Andrucha cria um clima satisfatório para compor o ambiente em que se ensaia uma história de reparação de uma dívida relativa a violências cometidas no período da escravidão. Com uma figura carismática, Criolo compõe o enigmático Couraça,que, junto com a silenciosa filha, Ana (Kênia Bárbara), forma a dupla encarregada dessa cobrança sobrenatural. 
 
Ciência e misticismo enfrentam-se nas figuras do psiquiatra dr. Lauro (Fernando Eiras) e da mística dona Marta (Fernanda Montenegro), que dominam partes da história da família Menezes, que mesmo Augusto desconhece. Seu personagem, mais do que todos, é o que condensa a disputa entre razão e loucura no duelo com Couraça, que lhe exige um grande sacrifício.
 
Um problema no roteiro é reservar para Tereza um papel muito marginal e passivo, enfraquecendo o núcleo dramático. A própria ideia de reparação histórica, sugerida a princípio, vai perdendo força ao longo do caminho, substituída por uma vingança fantasmagórica pura e simples. Embora não seja de todo mau, conseguindo manter a tensão em boa parte do tempo e entreter, é uma pena que, afinal, seja desperdiçado esse potencial, ainda mais tendo em Criolo um ator tão carismático.
 
Adentrando território de um gênero que não lhe é familiar, Waddington sai-se bem até certo ponto, mas não sustenta o tom. E a história conclui-se um tanto apressadamente.

Neusa Barbosa


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