A luz no fim do mundo

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Num mundo pós-apocalíptico, as mulheres praticamente desapareceram, depois de uma misteriosa epidemia. Um pai, Caleb, tenta de tudo para proteger sua filha, Rag, que escapou misteriosamente e ele agora tenta disfarçar como menino, para não atrair a atenção.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

09/10/2019

Casey Affleck parece decidido a finalmente tornar-se um diretor sério. Pelo menos, é esta disposição que transparece em A luz no fim do mundo, sua segunda experiência atrás das câmeras, depois de estrear na direção com o bizarro falso documentário Eu ainda estou aqui (2010) - em cujos bastidores, ainda por cima, surgiram as acusações de assédio de duas mulheres que levaram o ator-diretor aos tribunais. Depois do escândalo, os casos foram encerrados por acordos judiciais e Affleck, desde então, esforçou-se para fazer uma autocrítica e abraçar o #Metoo.
 
Isto tudo parece ter ficado mesmo para trás, já que A luz no fim do mundo, escrito, dirigido e protagonizado por Affleck, é um drama delicado em torno da relação profunda entre um pai e uma filha, num mundo distópico de um futuro próximo, em que uma misteriosa epidemia praticamente eliminou todas as mulheres. 
 
A longa sequência inicial, mostrando Caleb (Affleck), este pai, contando uma história relativa à Arca de Noé para a filha, Rag (Anna Pniowsky), sintetiza a intensidade deste laço entre os dois. O mundo lá fora parece não existir. E o vínculo entre eles se estabelece especialmente pela palavra. 
 
Caleb e Rag vivem na floresta, numa barraca, longe das cidades. A menina tem cabelos curtos e um figurino que procura, o mais possível, fazê-la passar-se por menino, num mundo em que mulheres tornaram-se um tesouro cobiçado. O pai está disposto a defendê-la a todo custo de qualquer perigo. Assim, qualquer passante ocasional acende o alerta para a dupla, que rapidamente muda de acampamento. De tempos em tempos,  no entanto, eles têm que aproximar-se de alguma cidade, a fim de coletar mantimentos. Fora disso, evitam contatos com outros seres humanos.
 
O isolamento deste ambiente e a onipresença do perigo aproximam o filme de outras distopias, como A Estrada, de John Hillcoat, igualmente marcada pela forte relação entre um pai e um filho num mundo selvagem. A questão de gênero, no entanto, marca uma singularidade para o filme de Affleck, que tem participações pequenas, mas precisas, de Elisabeth Moss, como sua mulher morta, que aparece em flashbacks.
 
Tensionando o clima, está a iminente puberdade de Rag, cujo comportamento, até agora infantil, agora a predispõe a testar seus limites. A força dramática está potencializada pela boa química entre Affleck e Anna, injetando complexidade numa relação tão afetuosa quanto instável.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança