Frans Krajcberg: Manifesto

Frans Krajcberg: Manifesto

Ficha técnica

  • Nome: Frans Krajcberg: Manifesto
  • Nome Original: Frans Krajcberg: Manifesto
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 96 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Regina Jehá
  • Elenco:

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Sinopse

Documentário alinha entrevistas com o artista Frans Krajcberg, incluindo também materiais de outros filmes de diferentes épocas, dando conta de sua formação e engajamento em prol da proteção às florestas brasileiras.


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Crítica Cineweb

07/10/2019

Itinerante por sua índole e circunstâncias de sua biografia, o polonês Frans Krajcberg (1921-2017) encontrou no Brasil a sua mais definitiva identidade. No documentário Frans Krajcberg: Manifesto, a cineasta Regina Jehá, que foi amiga do artista naturalizado brasileiro por mais de 40 anos, reúne fragmentos desta passagem tão expressiva, que deixou marcas indeléveis tanto na arte quanto na militância ambiental.
 
O documentário começa com imagens colhidas pela diretora na célebre casa-ateliê de Krajcberg, no sul da Bahia, cerca de um ano antes de sua morte. Apesar da evidente fragilidade física e das cicatrizes de sua exposição ao sol inconstante - que lhe valeu um câncer de pele -, sua lucidez continuava intocada na voz quebrada, em que se infiltravam tanto o inconfundível sotaque quanto a firmeza impregnada de um fio de bom humor. Krajcberg era assumidamente “um revoltado”, mas não um que dirigisse sua fúria sem foco. Para os amigos, a arte e a natureza, ele sempre reservava sua inesgotável reserva de ternura.
 
A cronologia inconstante do documentário alterna falas do artista mais jovem e mais velho, geralmente embrenhado em algum ponto das matas brasileiras, máquina fotográfica em punho, seguindo a pista das florestas queimadas. Lá ele encontrava a matéria-prima das obras esculturais da maturidade, que surgiam a partir de troncos, galhos e cipós calcinados, aos quais ele acrescentava tinta, cola e congregava em conjuntos de uma expressividade única.
 
Enriquecem o filme imagens de outros documentários, como O poeta dos vestígios, de Walter Salles - que a Regina cedeu algumas imagens inéditas - e outro sobre o Naturalismo Integral, movimento lançado num manifesto de 1978 que norteou a vida de Krajcberg. Naquele ano, ele, ao lado dos amigos Sepp Baendereck, ilustrador e fotógrafo, e Pierre Restany, crítico de arte, embrenharam-se numa expedição pelo Alto Rio Negro que lhes permitiu uma imersão naquela natureza pujante que os marcou para sempre. Foi Restany o autor do manifesto, que entre outras coisas, dizia: “O Naturalismo Integral é alérgico a todo tipo de poder e metáfora de poder. O único poder que ele reconhece é o poder purificador e catártico da imaginação a serviço da sensibilidade”.
 
Essas imagens de tempos distintos permitem constatar a coerência do artista, incansável em sua integridade e que procurava a própria individualidade tendo como espelho apenas a natureza. Em momento de tantas ameaças à Amazônia, é mais do que bem-vindo um filme que traga de volta a memória de um guerreiro assim.

Neusa Barbosa


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