Em guerra

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País


Sinopse

Dois anos atrás, pela manutenção de seus empregos, funcionários e funcionárias de uma fábrica de autopeças fizeram um acordo com o patrão, abrindo mão de ter aumentos. Agora, a fábrica está para ser fechada, e, então, entram em greve pelos seus direitos.


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Crítica Cineweb

01/10/2019

O filme do cineasta francês Stéphane Brizé em parceria com o ator Vincent Lindon é de uma urgência a que o título Em Guerra dá o sentido de imediatismo e ferocidade do longa, no qual uma greve se torna uma batalha pessoal. O resultado, no entanto, não tem a mesma potência de O valor de um homem, que rendeu ao intérprete o prêmio de atuação masculina em Cannes de 2015.
 
Laurent Amédéo (Lindon) é um líder sindical e porta-voz de seus colegas de trabalho de fábrica de peças automotivas em Agen, que será fechada por sua matriz alemã. Dois anos antes, porém, o chefe (Jacques Borderie) prometeu que não fecharia as portas se os operários e operárias aceitassem um congelamento dos salários – mas, como se vê, não manteve sua parte do acordo. Numa região com poucas opções de trabalho, o protagonista e os demais se unem para salvar seus empregos.
 
Instaura-se, então, uma verdadeira guerra entre trabalhadores e gerência, com cada lado defendendo com afinco seus propósitos. Brizé, que assina o roteiro com Olivier Gorce, está num campo típico de Ken Loach, escancarando os males do capitalismo sem sutilezas – porque, às vezes, na vida, há situações nas quais não vale a pena ser sutil. A esfera do trabalho é um campo de batalha, e pouco sabemos sobre a vida pessoal dos personagens – apenas que Laurent está para ser pai e tem uma relação próxima com uma colega, Mélanie (Mélanie Rover), a ponto de despertar fofocas. Fora isso, estamos sempre concentrados na disputa trabalhista, num filme verborrágico e tempestuoso.
 
É uma opção ousada de Brizé e Gorce, que demanda atenção, tornando-se um tanto cansativo, mas talvez não houvesse mesmo outra forma de fazer esse filme. O primo estranho de Em Guerra é o musical português A fábrica de nada, um filme quase surreal sobre um assunto parecido, que assumia um tom quase fantástico com suas opções estéticas. Aqui, o diretor não tira os pés do chão em nenhum momento, empregando em cena diversos trabalhadores e trabalhadoras reais – Rover é uma delas –, trazendo uma veracidade quase documental.
 
Lindon é um dos atores franceses mais competentes da atualidade e encara os tipos comuns com naturalidade e profundidade. O filme se vale disso a cada instante, embora traga ao personagem um peso que ele não merecia. São poucos os intérpretes que podem assumir o papel de um herói da classe trabalhadora sem cair no caricato ou panfletário, embora Em guerra dê ao personagem um peso de mártir que ele não merecia, resultando num final exagerado e manipulador.

Alysson Oliveira


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