Onde quer que você esteja

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País


Sinopse

Na rádio Cidade Aberta, em S. Paulo, um programa não sai do ar: "Onde quer que você esteja", em que parentes e cônjuges de pessoas desaparecidas mandam-lhes mensagens, mantendo viva a esperança de receber notícias de quem sumiu, às vezes, há vários anos.


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Crítica Cineweb

26/09/2019

Quinze anos depois de um curta que foi muito premiado em festivais Brasil afora, os diretores Bel Bechara e Sandro Serpa voltam ao seu tema, ampliando a história de um programa de rádio em que as pessoas vão mandar mensagens a parentes desaparecidos. 
 
Do curta original, restaram os personagens Lúcia (Débora Duboc) e Waldir (Leonardo Medeiros), cada um à procura de um cônjuge que um dia saiu pela porta e nunca mais voltou. 
 
A ausência que não cabe no peito é a nota que une as diversas histórias que desfilam pelo programa, comandado pelo radialista Adroaldo (Dagoberto Feliz) e seu assistente, Maurício (Eduardo Acaiabe) em São Paulo. Há o casal (Brenda Lígia e Rafael Maia) que procura o filho de 7 anos. A menina Karina (Luiza Mesquita) e sua mãe (Juliana Mesquita) buscam o pai da garota. Roberto (Samuel de Assis) quer a volta da mulher, Luciene (Rita Batata), que o deixou com o bebê de poucos meses. A solitária Zélia (Sabrina Greve), por sua vez, procura pistas da babá que foi sua segunda mãe e ela nunca esquece.
 
Todas as semanas, essas e outras pessoas desfilam sua solidão, perplexidade e esperanças pelo microfone da rádio, que se orgulha de ter localizado alguns desses desaparecidos. Cria-se ali um espaço de convívio entre estes seres traumatizados, que compartilham uma dor que outros lá fora não entendem. A partir desse contato, nascem novas histórias. Como a que aproxima Lúcia e Waldir, ou o próprio Adroaldo e Ana Maria (Gilda Nomacce), que procura sua filha - introduzindo uma nota de humor num relato predominantemente dramático. 
 
É com delicadeza e sem pieguice que os diretores/roteiristas conduzem este universo intimista, habitado por pessoas comuns unidas por frustrações e dores dilatadas pela falta de explicações, impedindo o luto, o fechamento de um capítulo. Como seguir em frente sem saber exatamente o que se passou com o/a parente, o/a filho/a, o/a companheir/a sumido/a? Houve alguma tragédia ou ele/a quis mesmo sumir ? 
 
Dominando a carpintaria dramática com firmeza e sentimento, os diretores fazem aquilo que alguns chamam de “filme argentino”, aquele simples e bom que supostamente os nossos brasileiros, segundo alguns, não acertariam fazer. A prova que sabem, sim, está aqui.
 
A dimensão política do programa que inspirou o filme, mantido por uma rádio colombiana no tempo dos sequestros da guerrilha das FARC, aqui fica aparentemente num segundo plano - pelo menos no que diz respeito aos desaparecidos da ditadura militar, não mencionados nesta história. Mas é só lembrar que o Brasil, que registra uma espantosa média de 200 desaparecimentos por dia, não criou ainda um cadastro nacional de pessoas desaparecidas e mantém ativo um de carros roubados, para entender a gritante insensibilidade do poder público com as vítimas - que, em sua maioria, pertencem às camadas desfavorecidas da população.

Neusa Barbosa


Trailer


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