Encontros

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


País


Sinopse

A empresa onde Rémy trabalha está introduzindo robôs e ele vai ser remanejado. Mélanie, que sofre há um ano pelo fim de um amor, tem dificuldades para se afirmar no trabalho. Os dois, que são vizinhos, vivem problemas parecidos mas não se conhecem.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

26/09/2019

O paralelismo das solidões de Rémy (François Civil) e Mélanie (Ana Girardot) é a linha que percorre este Encontros, nome genérico demais para um filme denso de camadas ao retratar relacionamentos no ambiente da grande Paris.
Os dois jovens moram perto, mas nunca se vêem realmente. Passam um pelo outro na rua sem reparar um no outro, muito menos saber que é tão grande a sua afinidade potencial.
 
Diretor e roteirista conhecido por sua marca intimista, em filmes como O Gato Sumiu, Albergue Espanhol, Bonecas Russas e Paris, o francês Cédric Klapisch volta ao território que lhe é familiar, acrescentando notas novas nas melodias que domina. Sem mesmice, sem pieguice, modulando o aprofundamento dos caráteres, explorando os detalhes do entorno dos ambientes pessoais e profissionais.
 
Um contexto para estes solitários é justamente o trabalho no século XXI. Mélanie é uma pesquisadora científica tímida, desafiada a uma apresentação para os patrocinadores de um projeto crucial para o laboratório onde ela trabalha, o que está pondo à prova seus nervos. Ela já se sente fragilizada desde o rompimento de um romance, que não consegue superar há um ano.
 
Rémy é muito mais introvertido e sua nova situação profissional é um estímulo ao individualismo mais exacerbado. Trabalhando numa empresa de entregas, ele viu partir a maioria de seus colegas, demitidos ou transferidos, enquanto ele foi escolhido para um remanejamento. Vindo de uma localidade montanhosa nos Alpes, ele não tem por perto nem amigos nem romances. Sua existência escoa, simplesmente.
 
O enredo costura de maneira sutil os contrastes entre a tímida Mélanie, que é cercada por um grupo de amigas que a tiram do isolamento, apresentando-a ao Tinder, e o travado Rémy, que, ao contrário dela, sofre de insônia - ela dorme demais, ele de menos.
 
O espaço de uma mercearia de bairro, administrada pelo simpático mas enxerido Mansour (Simon Abkarian) injeta um bem-vindo humor. Mansour é o tipo do comerciante que direciona as compras de seus clientes, entre os quais Mélanie e Rémy, como se fosse um terapeuta. Sua loja, além disso, é um sinal da multiplicidade étnica que marca a identidade de cidades como Paris.
 
A terapia entra na vida dos protagonistas, dando chance não só de que os conheçamos melhor como de refletir as diferenças entre homens e mulheres também nesta chave - a analista de Mélanie é mulher (Camille Cottin), o de Rémy, homem (François Berléand). 
 
Uma das iscas colocadas para o espectador é a expectativa de se estes dois vão encontrar-se ou não, retomando situações já vistas em diversos filmes sentimentais que exploram esta distância de dois seres potencialmente compatíveis, só que embaralhando os detalhes e os climas. Klapisch vale-se da mística desta situação mas abrindo mão totalmente de recobri-la de uma calda por demais açucarada ou mesmo fatalista. Não há um determinismo romântico envolvido. Não sabemos logo se eles vão encontrar-se ou não e esse é um dos acertos do diretor na condução de um filme que não se envergonha de ser sensível mas nem por isso abre mão da inteligência.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança