Sócrates

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Sinopse

Depois da morte de sua mãe, Sócrates, de 15 anos, fica sem arrimo. O aluguel está vencendo e ele não encontra emprego, ainda mais por ser menor de idade. A paixão por Maicon e a intervenção de uma assistente social não são, realmente, saídas para ele.


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Crítica Cineweb

18/09/2019

Sócrates (Christian Malheiros) tem 15 anos e carrega o mundo nas costas desde que a mãe morreu. Menor de idade, sem emprego nem apoio - seu pai (Jayme Rodrigues) é uma figura problemática -, ele vai resistindo, de percalço em percalço, numa jornada em que a sobrevivência é de alto risco.
 
Premiado em vários festivais, como a Mostra de S. Paulo, o Mix Brasil, Spirit Awards, Tessaloniki, Salônica e outros, o primeiro longa do diretor Alex Moratto adere ao naturalismo para relatar uma história que, se tem fundo autobiográfico, é o espelho de várias vidas negras, pobres, periféricas neste Brasil que não sabe mais o que é, mas se procura.
 
A questão da sexualidade é outro assunto que se toca com força e sinceridade, somando complexidade à trajetória do garoto. A câmera (de João Gabriel de Queiroz) insere Sócrates num contexto, aliás, tão desprovido quanto ele, bairros populares da cidade de Santos em que o mar está quase sempre longe. Uma das exceções é a sequência final, em que se pode ver uma homenagem a Os Incompreendidos, de François Truffaut, outro emblemático conto adolescente, aqui conjugado numa chave bem mais amarga.
 
O foco do impasse de Sócrates está na sua dificuldade em relacionar-se com o mundo, cujas regras ele evidentemente não conhece nem domina. As incertezas de seu relacionamento com Maicon (Tales Ordakji) são apenas uma parte deste pertencimento difícil, em que ele não encontra proteção, nem arrimo. A única força de Sócrates brota dele mesmo, seja sua tristeza, seja sua raiva, sejam suas vacilações diante de um panorama tão incerto. As soluções trazidas pela assistente social (Vanessa Santana), burocráticas e sem levar em conta toda a complexidade de sua situação familiar, ecoam no vazio. No final, o problema é que ninguém o escuta de verdade e ele só tem a si mesmo.
Essa naturalidade da produção, um de seus pontos altos, resulta também das circunstâncias de produção do filme, fruto de um projeto do Instituto Querô, de Santos, que capacita artisticamente jovens de 16 a 20 anos que, de outro modo, dificilmente teriam acesso a uma formação artística. .

Neusa Barbosa


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