Rambo - Até o fim

Ficha técnica


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País


Sinopse

Rambo leva uma vida tranquila num rancho onde cria cavalos, e conta com a ajuda de sua empregada mexicana e da neta dela, mas quando e menina atravessa a fronteira em busca do pai, ela acaba sequestrada, e transformada em prostituta. Para salvar a menina, o veterano do Vietnã lembra que foi "programado para matar".


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Crítica Cineweb

19/09/2019

Se há uma coisa de que o mundo realmente não precisava neste momento é de um novo filme protagonizado por John Rambo – ao menos não Rambo – Até o fim, sexto exemplar da franquia, que se alinha ao que há de pior no nosso presente. Talvez o sucesso que Rocky reencontrou nos dois filmes do reboot da franquia, com Creed – que rendeu uma indicação ao Oscar de coadjuvante em 2015 a Sylvester Stallone – tenha animado o ator a ressuscitar Rambo do ostracismo causado pelo longa de 2008. O resultado é um festival de pancadaria e sangue (até aí, nada de novo) retratando o México como um lugar onde o que existe é apenas tráfico de drogas e prostituição. Todos os personagens mexicanos de destaque, aliás, são interpretados por espanhóis virtualmente pouco famosos. A única cara bastante conhecida do elenco é Paz Vega (Fale com ela), como uma jornalista “do bem” (que pode ser mexicana ou espanhola).
 
Rambo vive numa fazenda onde cria cavalos, na companhia de sua empregada (Adriana Barraza) e da neta dela, Gabrielle (Yvette Monreal), a quem ele trata como uma filha. Além de domar os animais, o ex-veterano do Vietnã programado para matar mantém túneis subterrâneos em sua propriedade próxima da fronteira com o México, talvez na expectativa de um furacão ou uma guerra nuclear.
 
Gabrielle perdeu a mãe e teve pouco contato com o pai, que as abandou quando ainda era pequena. Uma amiga morando no México consegue o endereço dele e, pouco antes de ir para a universidade, a garota cruza a fronteira – mesmo proibida disso pela avó e Rambo. Humilhada pelo pai (Marco de la O), ela acaba indo para um bar e tornando-se escrava sexual no bordel de um par de irmãos traficantes, que têm planos de expandir os negócios para os EUA. Eles são Hugo (Sergio Peris-Mencheta), mais metódico, com perfil de executivo, e Victor (Óscar Jaenada), mais nervosinho, que resolve tudo no soco ou na arma.
 
Não custa muito e Rambo está na cola dele, mas é deixado quase morto – eles não o matam para que possam humilhar a escrava sexual ainda mais, sabendo que o seu protetor viverá em risco. O protagonista conta com ajuda apenas da jornalista, que investiga a rede de tráfico de mulheres depois que perdeu uma irmã para eles. Uma série de acontecimentos, no entanto, levam Rambo a, novamente, confrontar os irmãos-traficantes-cafetões. Tudo, no entanto, é mero pretexto para fazer jorrar sangue de maneiras cruéis.
 
Este é claramente um filme pró-Trump, mesmo que não seja assumidamente assim. Mas não será de se estranhar se o presidente dos EUA usar o longa como mais um argumento para a construção de seu muro infame. E não seria a primeira vez que um presidente norte-americano tomaria o personagem para justificar suas ações. Em 1985, Ronald Reagan disse, após ver Rambo II: A missão, que tinha aprendido como lidar com uma crise envolvendo reféns. Em Cannes, em maio passado, Stallone disse que “Rambo não é um comentário político”. Mas, como bem se sabe, de boas intenções o inferno está cheio, e mesmo que seu criador não queira, o personagem é um comentário político ambulante que, ao menos, de certa forma, é um sintoma involuntário de nosso tempo.

Alysson Oliveira


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