A música da minha vida

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Sinopse

Vivendo nos anos 1980 na cidadezinha inglesa de Luton, Javed, um adolescente de origem paquistanesa, luta pelo sonho de tornar-se escritor. Mas seu pai não quer nem ouvir falar disso. Felizmente, ele tem apoio de sua professora e também descobre a paixão pelas letras do roqueiro Bruce Springsteen.


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Crítica Cineweb

11/09/2019

A Música da Minha Vida, da diretora Gurinder Chadha, é uma simpática crônica sobre a adolescência de um jovem de origem paquistanesa, Javed (Viveik Kalra), que mora numa cidadezinha inglesa, Luton, em plena era Thatcher - num contexto de desemprego, repressão e discriminação contra comunidades de imigrantes. Se não fosse por Bruce Springsteen, a vida seria mesmo insuportável.
 
O longa é baseado no livro de memórias do jornalista Sarfraz Menzoor, que assina o roteiro com a diretora e seu marido, Paul Mayeda Berges. Assim, revestem-se de verdade os incidentes que pontuam a vida deste garoto de 16 anos, que sonha tornar-se escritor. O projeto tem o total apoio de sua professora, a srta Clay (Hayley Atwell), mas o pai de Javed (Kulvinder Ghir), nem pode saber disso. Ele quer que o filho siga uma carreira contábil, repetindo a única trajetória que acredita possível para os descendentes de paquistaneses, conformando-se com o racismo e a exclusão. 
 
Este conflito entre pai e filho ocupa o centro da história, já que custa ao jovem Javed ter a coragem de impor sua vontade a este pai, repleto de boas intenções, mas atolado no conservadorismo de seus costumes e nos traumas de sua própria experiência. Enquanto isso, Javed encontra alívio na amizade com o vizinho Matt (Dean-Charles Chapman), que sonha em ser roqueiro e estimula o amigo a compor letras para ele.
 
O cotidiano limitado de Javed, que eventualmente tem que salvar a pele dos ataques de supremacistas brancos, assume outro brilho quando ele descobre as músicas de Bruce Springsteen - isso num tempo em que seus colegas tinham seus olhos voltados para Madonna, Michael Jackson, Pet Shop Boys e outros. Mas o roqueiro de origem operária de New Jersey fala diretamente ao coração de Javed, nas letras de canções como Born to Run, The Promised Land e Dancing in the Dark - o que proporciona ao filme algumas divertidas sequências musicais, que têm um colorido festivo à la Bollywood mas são certamente a mais exata tradução dos sonhos de Javed.
 
Completando o conto de passagem à vida adulta do rapaz, não poderia faltar o elemento de romance, proporcionado pela ligação com a colega Eliza (Nell Williams), que é outro desafio para que Javed desacate o rígido controle paterno. 
Conhecida especialmente por Driblando o Destino (2003), a diretora britânica tem mão leve na condução destes conflitos intimistas, sem deixar de pontuar as asperezas sociais do período - do qual são vítimas trabalhadores como o pai do protagonista, afetado pelo desemprego na idade madura. É com firmeza também que ela evidencia o componente machista nas relações familiares sem, contudo, pesar o tom. A humanidade deste núcleo familiar, com todas as suas contradições e afetos, nunca é perdida de vista na história, muito agradável de assistir.

Neusa Barbosa


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