Rainha de copas

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Sinopse

Anne, seu marido e as filhas gêmeas levam uma vida tranquila de classe média alta. Mas a harmonia é ameaçada pela chegada do filho problemático que ele teve no primeiro casamento. O rapaz se mostra arredio, até que surge uma amizade entre ele e a madrasta.


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Crítica Cineweb

03/09/2019

Queridinho de muito cinéfilo e crítico no final dos anos de 1990 e começo da década seguinte, o cinema dinamarquês logo se tornou um resquício de cacoetes do Dogma 95, com filmes que pouco tinham a dizer passando por ousados. Rainha de Copas, de May el-Toukhy, começa parecendo ser mais um exemplar desse subgênero mas, aos poucos, ela se livra de certas amarras de choque gratuito para criar um filme que ressoa tremendamente com o nosso tempo. 
 
Rainha de copas é, ao seu modo, um Perdas e Danos para a era das fake news e pós-verdade, trazendo uma mulher que se envolve com o filho primogênito de seu marido, com consequências obviamente trágicas.Mas, antes de tudo, o longa escrito por el-Toukhy e Maren Louise Käehne é sobre a mulher tomando posse de seu corpo. A protagonista Ann – interpretada por Trine Dyrholm com força e dignidade – é uma advogada em cuja mesa aparecem casos como de um estupro (cujo criminoso será inocentado no tribunal) e uma menina espancada pelo pai que se recusa a abandoná-lo. Em disputa, sempre o corpo da mulher oprimido pelo homem.
 
Anne tem uma vida confortável ao lado do marido, Peter (Magnus Krepper), um médico, e das filhas gêmeas (Liv Esmår Dannemann e Silja Esmår Dannemann), numa casa de um luxo contido cercada por uma floresta. Eles são pessoas ricas que não precisam ostentar a riqueza – as meninas fazem aula de equitação, por exemplo, sem precisar transformar isso num grande evento. São uma família, como geralmente os escandinavos, altamente civilizados – ao menos nas aparências. E a chegada de Gustav (Gustav Lindh), que mora com a mãe na Suécia, poderia perturbar de cara essa harmonia.
 
Ele certamente irá transformar o cenário, mas de maneira sorrateira. Garoto-problema, a mãe já não sabe o que fazer com Gustav. A casa do pai é o último recurso antes de mandá-lo para um internato. Ele não faz muita questão de se entrosar – embora as irmãs o amem a ponto de o endeusarem –, mesmo com os esforços de Anne para que ele “faça parte da família”. O casamento dela é bom, mas a intimidade entre ela e Peter não anda lá essas coisas, e a madrasta acaba se tornando próxima do rapaz. Até que uma noite os dois começam um caso.
 
É de se estranhar que Anne, uma advogada que em seu cotidiano lida com situações de abuso, não perceba o tipo de abuso que ela está cometendo contra o enteado. A ação quase selvagem dela faz crer que ela não parou nem por um segundo para pensar nas consequências de seu ato e nas implicações na mente de Gustav. Anne leva em frente esse envolvimento que tem como base apenas o sexo, sem qualquer vínculo emocional com o rapaz, até que se torna inviável. Ela resolve acabar com tudo, mas para Gustav não é tão simples assim.
 
Nesse momento, Rainha de copas, premiado no Festival de Sundance, toma um caminho mais surpreendente e inesperado, tornando-se um filme que investiga, num plano pessoal, um assunto de nosso momento: a disputa de narrativas. Não importa quem seja o dono ou a dona da verdade, o que pesa é quem tem o poder numa situação. O fogo que se espalha aqui é como o de uma notícia falsa que é tomada como verdadeira, porque quem a conta tem o poder de convencer não por dizer a verdade, mas pela força de persuasão de seu status. 
 
Leia a entrevista com o ator Gustav Lindh

Alysson Oliveira


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