O Grande Ditador

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Crítica Cineweb

15/01/2003

O Grande Ditador (1940), primeiro filme sonoro de Charles Chaplin, ficou famoso pelo discurso pacifista final . No entanto, a idéia original do diretor era a união de dois exércitos inimigos em um grande baile, seqüência descartada pelo aperto no orçamento. A descoberta está no documentário The Tramp and The Dictator, do britânico Kevin Brownlow, que também reúne imagens coloridas do clássico e cenas descartadas por Chaplin durante as filmagens, encontradas no sótão da residência familiar de Vevey, às margens do Lago de Genebra, na Suíça.

Por ação dessa lei mística que rege o cinema, nasceu uma obra-prima incontestável cujo valor vai além da paródia sobre um dos períodos mais dramáticos da história quando defende a liberdade, a solidariedade e a igualdade, e mostra como caminho para a paz mundial a valorização do ser humano. Outra força "sobrenatural" foi responsável pela semelhança física entre Hitler e Chaplin que, além do bigode e do físico franzino, nasceram no mesmo ano, 1889, com apenas 4 dias de diferença.

O roteiro foi elaborado em 1939, enquanto a Alemanha nazista invadia a Polônia e dava início à II Guerra Mundial. No filme, um barbeiro judeu (Chaplin) perde a memória durante a I Guerra Mundial, em um acidente no qual salva a vida do piloto militar Schultz. Quando retorna à barbearia, anos depois, ele encontra a Tomânia sob o domínio do ditador Adenoyd Hynkel (Chaplin) e o judeus restritos ao gueto.

Hynkel, cuja imponência arranca saudações até de estátuas, planeja dominar o mundo, e o primeiro passo é invadir o país vizinho Osterlich. A estratégia também inclui o extermínio dos judeus, capturados e mandados aos campos de concentração. Presos, vão o barbeiro judeu e o agora comandante Schultz, acusados de defender os interesses do povo perseguido. A dupla consegue fugir e, devido às semelhanças físicas, o barbeiro é confundido com o ditador e acaba discursando em seu lugar.

Das antológicas cenas do filme, é impossível não se emocionar diante daquela em que Hynkel brinca com o globo terrestre e chora como uma criança quando ele estoura. Não apenas essa mas outras seqüências mostram o egocentrismo, a insegurança e a incapacidade de lidar com a contrariedade do ditador, que almeja um mundo formado apenas por arianos.

O Grande Ditador foi censurado no Brasil pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) por ser considerado "comunista" e "desmoralizador das Forças Armadas". Nessa época, o país vivia sob a ditadura de Getúlio Vargas e a evidente simpatia do governo pelos regimes totalitários da Alemanha e Itália ia de encontro ao discurso que incita soldados a revoltar-se contra aqueles que os tratam como gado humano. A fita encontrou resistências também nos Estados Unidos e foi, em grande medida, responsável pela expulsão de Chaplin do país, uma década depois. Na época, ele desafiou: "Exibo este filme nem que tenha de comprar um cinema e seja o único espectador".

Mais de 60 anos depois, diante das ameaças americanas contra o Iraque, patrocinadas por George W. Bush, vemos a atualidade de O Grande Ditador. Ainda hoje poderia o barbeiro judeu dizer: "Mais que máquinas, precisamos de humanidade (...) pensamos demais e sentimos pouco". E continuaria esperando que "a alma do homem ganhasse asas e afinal começasse a voar para o arco-íris, para a luz da esperança".

Cineweb-21/12/2002

Luara Oliveira


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