O corpo é nosso

Ficha técnica

  • Nome: O corpo é nosso
  • Nome Original: O corpo é nosso
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 85 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Theresa Jessouroun
  • Elenco:

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Sinopse

Um jornalista tem como pauta a libertação do corpo feminino, e para isso ele acompanha entrevistas feitas por uma documentarista sobre assunto, dessa maneira, ele e o filme - que combina ficção e documentário - investigam a luta, ao longo da história, da mulher brasileira pela libertação do seu corpo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

26/08/2019

O corpo, especialmente o feminino, é campo de batalha, de disputa de narrativas, e é isso que está em jogo em O corpo é nosso, de Theresa Jessouroun, um filme que combina documentário e ficção para investigar esse embate. O tema é pertinente, e a investigação relevante, mas o filme podia muito bem ficar sem a parte ficcional, protagonizada por um jornalista, Marcos (Renato Goes) incumbido de fazer uma reportagem sobre feminismo, ou melhor, como diz seu chefe, feminismos – no plural.
 
É claro o dispositivo que Jessouroun está usando com esse homem branco, heterossexual e de classe média. Ele é o sujeito que desconhece o básico sobre feminismo, e servirá como o olhar do público – especialmente aquele não familiarizado com o assunto. Quando recebe a pauta, Marcos logo diz que não poderia fazer, alegando que não está no “lugar de fala” do tema. A investigação começa num baile funk, onde ele encontra uma antiga empregada da família (Roberta Rodrigues), a quem engravidou, e nunca soube. A menina está dançando, e isso o escandaliza.
 
Depois dessa cena, entra a primeira entrevista, que faz uma ótima análise sobre funk e liberdade feminina. É em momentos como esse que O corpo é nosso se encontra, quando dá diretamente voz às mulheres. A pesquisa do jornalista é como uma linha que costura os temas, as questões, os depoimentos, mas talvez o filme fosse mais forte sem ele, sem a quebra no documental para a encenação que força, às vezes, no didatismo.
 
Na parte documental, O corpo é nosso rememora a tomada de consciência por parte das mulheres em relação ao seu corpo e ao poder. É um resgate importante, e a construção da narrativa tenta dar conta de como essa percepção desde o século XIX até o nosso presente, com a Marcha das Vadias, que abre o longa, passando por figuras como Leila Diniz, revolução sexual dos anos de 1960/1970, até chegar ao recente #MeToo. A abrangência dá a sensação de um filme que nem sempre se aprofunda nas questões que aborda. Serve, possivelmente, como algo introdutório em sua investigação.
 
Ao fim, O corpo é nosso é também sobre a descoberta de Marcos que se torna uma pessoa melhor, ao reencontrar a antiga empregada – com quem perdeu a virgindade – e descobriu uma filha. É curioso que, ao colocar, todo esse segmento e esse personagem, um longa tão centrado no feminismo, dê o protagonismo a um homem, e se interesse tanto pela jornada dele, deixando de lado a mulher a quem ele engravidou na juventude e abandonou involuntariamente quando seus pais o mandaram para a Inglaterra sem saber da gravidez. Da história dela conhecemos muito pouco – a personagem mal fala no filme, e seus diálogos são excessivamente didáticos. O que isso nos revela é como o machismo está tão introjetado em toda nossa sociedade que um filme sobre feminismo cometa certos deslizes como esse.

Alysson Oliveira


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