Chicuarotes

Ficha técnica


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País


Sinopse

Cagalera e Moloteco são dois garotos de uma periferia mexicana. Longe da escola e vivendo de bicos, não têm a menor esperança de uma vida melhor. Um dia, Cagalera inventa de praticar um sequestro, para juntar muito dinheiro e os dois saírem dali.


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Crítica Cineweb

26/08/2019

Ator prestigiado nos quatro cantos do mundo, o mexicano Gael García Bernal realiza seu segundo trabalho como diretor no drama Chicuarotes, um duro mergulho nas periferias mexicanas, filtrado por um olhar de compreensão, mas sem condescendência, sobre seus dois protagonistas adolescentes, Cagalera (Benny Emmanuel) e Moloteco (Gabriel Carbajal).
 
A primeira sequência apresenta a realidade precária dos dois, vistos maquiados como palhaços, pedindo esmolas a bordo de um ônibus. A partir daí, compartilha-se a ambiguidade de sua situação, com Cagalera assumindo o papel de mais agressivo e impulsivo dos dois, num flerte decidido com a criminalidade.
 
Baseado num roteiro de Augusto Mendoza, Bernal investe, neste seu segundo longa (o primeiro foi Déficit, de 2007, seguido por curtas e episódios para a TV), uma energia crítica, um olhar atento a uma realidade social marcada pelo abandono crônico das camadas populares, imersas em todo tipo de carência e num ambiente propício à violência, ainda mais diante da total ausência de perspectivas de mudança.
 
Mesmo as relações familiares são contaminadas. O pai de Cagalera, Baturro (Enoc Leaño), é um bêbado imprevisível, espancador da mulher, Tochi (Dolores Heredia). Os outros filhos são Güilly (Esmeralda Ortiz) e Victor (Pedro Joaquín), que se esforça para esconder sua homossexualidade inclusive na família.
 
Diante desse vazio existencial, o inquieto Cagalera tem uma ideia - sequestrar o pequeno filho do açougueiro do bairro. O plano é juntar dinheiro para que ele, sua namorada Sugheili (Leidi Gutiérrez), e Moloteco possam finalmente sair dali para sempre.
 
Como se pode imaginar, a realidade entra em conflito com este plano mirabolante e absurdo, tangendo as existências destes jovens ao encontro de uma violência iminente, num ambiente de valores dúbios, em que se misturam bandidos, justiceiros e seres perdidos.
 
Chicuarotes é, finalmente, um filme duro, sem concessões, sobre estas vidas desperdiçadas dentro de um país inviável. Mas isto é feito com tal cuidado que não se subtrai humanidade aos seus personagens, criando empatia diante de sua situação de risco. Dos jovens atores, brota uma energia que sustenta com dignidade toda a proposta. O veterano Daniel Cacho Giménez (Branca de Neve, Vermelho Carmim) faz uma participação especial como Chillamil, justiceiro impiedoso. 

Num tempo de sufocamento econômico neoliberal em que a ação política está ausente ou é vilanizada, Chicuarotes surge como um filme que discute a emergência e as possibliidades de reação diante do desespero e da falta de saídas à vista - que dialoga diretamente com filmes contemporâneos de outras latitudes, como o brasileiro Bacurau. Há uma inquietação no ar em todo o mundo que encontra sua expressão na arte.  

Neusa Barbosa


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