Minha lua de mel polonesa

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Sinopse

Anna e Adam são um jovem casal parisiense, com um filho bebê. De origem judaico-polonesa, decidem comparecer a um evento em memória das vítimas do Holocausto, na Polônia. A viagem, que também é de um tipo de férias, os coloca em situações bizarras e diante de sua relação com as próprias raízes.


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Crítica Cineweb

21/08/2019

Atriz, Élise Otzenberger estreia na direção com este filme, escrito também por ela, que procura - e encontra - um equilíbrio entre um tom leve e outro dramático para abordar conflitos de identidade judaica diante da herança do Holocausto.
 
Inteligentemente, a diretora e roteirista injeta humor no retrato da relação de um jovem casal parisiense de origem polonesa, Anna (Judith Chemla) e Adam (Arthur Igual), e também no conflito entre a moça e sua mãe, Irene (Brigitte Roüan), deixando a inserção da carga dramática mais para o final, no reencontro com as raízes da família, na Polônia.
Este humor nas briguinhas do casal e nas implicâncias de Anna com a mãe podem parecer descabidos, mas se encaixam perfeitamente na intenção de humanizar estas pessoas que, finalmente, resgatam memórias extremamente dolorosas. Também neste último aspecto a diretora não pesa a mão, mantendo sob controle as delicadas emoções que vêm à tona na viagem que embala a história.
 
Adam, que não é um judeu particularmente religioso, foi convencido pela mulher a participar de uma cerimônia na Polónia, para lembrar os 75 anos do extermínio dos judeus, um evento para o qual ele foi convidado por seu tio, Philippe (Antoine Chappey). Anna é, claramente, muito mais entusiasta desta viagem, a ponto de aceitar separar-se temporariamente do filho bebê do casal, do qual ela é mãe superprotetora, entregando-o aos cuidados da própria mãe e do pai, Gilbert (André Wilms).
 
Apesar do objetivo final, a ida à Polônia reveste-se de um caráter de segunda lua-de-mel para um casal que sofre os efeitos em sua intimidade de ter um filho tão pequeno. Esta dualidade é habilmente explorada pela diretora ao longo do filme, transformando-se, a cada etapa do trajeto, num passo adiante dentro de uma realidade que nenhum dos dois poderia imaginar.
 
O que é mais instigante no filme é a maneira como é capaz de inserir cada um dos personagens diante das memórias do atroz passado dos judeus poloneses, praticamente exterminados em campos de concentração e dos quais hoje restam vestígios esparsos, transformados em atrações para turistas com interesses específicos. “Isto é a Disneylândia do Holocausto”, desabafa Adam num certo momento, diante da profusão de passeios a campos de concentração e suvenires, como pequenas esculturas um tanto folclóricas de judeus.  

Esta estranheza diante do presente um tanto bizarro convive bem, na história, com genuínos esforços de recobrar as próprias raízes. Apesar de um ou outro deslize, Minha lua-de-mel polonesa respira uma notável delicadeza de princípios e sentimentos, mesmo lidando com um tema tão complexo. 

Neusa Barbosa


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