Yesterday

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Sinopse

Um músico sem sucesso acorda num mundo onde os Beatles nunca existiram, e só ele conhece a banda. Em busca da fama, ele finge que as músicas do quarteto são suas e alcança a glória.


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Crítica Cineweb

14/08/2019

Entre os altos (nem sempre muito altos) e os baixos (alguns realmente bem baixos) da carreira de Danny Boyle – cujos extremos estão entre Trainspotting e Quem quer ser um milionário? –, Yesterday está mais ou menos no meio, um pouco abaixo de Caiu do céu, uma comédia simpática e melancólica sobre um garoto que encontra um saco de dinheiro. Aqui, a premissa é mais ou menos a mesma, excetuando o fato que o pote de ouro são as músicas dos Beatles.
 
O roteiro é assinado por Richard Curtis (Simplesmente amor), o que já diz muito: é carregado numa sacarina com sotaque inglês pesado, com pendência para o romance e destituído de sutilezas – o que raramente é uma vantagem. O ponto de partida é um mundo onde os Beatles não existiram, mas, misteriosamente, apenas Jack Malik (Himesh Patel) se lembra deles e de suas músicas. O próprio rapaz é um músico sem talento ou sucesso, que vê nesse fato estranho sua chance de se tornar famoso, e se torna.
 
Quando ele canta Yesterday para um grupo de amigos, uma delas diz: “É bom, mas não é Coldplay”. É em momentos como esse que o filme de Boyle cresce, quando se deixa levar por um humor leve. Porém, o longa não é feito apenas disso. Há também uma vontade desnecessária de comentar sobre o status da arte atualmente. Quando Jack está escalando seu sucesso, sua nova agente (interpretada por Kate McKinnon, sempre maravilhosa) leva-o à gravadora, onde um time de marqueteiros está reunido para escolher o nome do primeiro disco, rejeitando todas as sugestões do músico: White Album (você não quer a palavra “branco” no nome do seu disco), Abbey Road (onde raios é isso?). E o filme está, então, perguntando se os Beatles teriam a mesma autonomia hoje. Provavelmente, não.
 
As melhores cenas realmente são as do estranhamento quando Jack tira vantagem de sua posição como a única pessoa do mundo que conhece as músicas, embora nem sempre lembre corretamente das letras. Curiosamente, ao contrário do menininho de Caiu do céu, o protagonista aqui nunca tem crises éticas e morais da apropriação da obra de outras pessoas. O filme evita qualquer questão mais complexa que pudesse levantar, sobre a herança dos Beatles para a cultura (excetuando poucos detalhes, pontua que o mundo seria o mesmo se a banda não tivesse existido – será?), e se contenta com as músicas mais pegajosas, que dizem coisas como “eu quero segurar sua mão” ou “ela te ama ieieie”, evitando o problema de tentar encaixar na trama composições mais sofisticadas como “I am the walrus” ou “Across the universe”.
 
É sintomático que a dupla Curtis e Boyle evite tudo o que evita, escolhendo o caminho mais fácil, o da comédia romântica, que não pede questionamentos nem profundidade. O interesse amoroso de Jack, Ellie, é interpretada por Lily James, que faz uma garota irritante. Talvez a culpa não seja exclusivamente da atriz mas, ao lado do carisma e talento de Patel, a personagem desaparece, e não se está longe de imaginar que ele estaria melhor sem ela. O filme todo, na verdade, estaria melhor se se importasse menos com a história de amor e mais com a meteórica ascensão do protagonista. Assim, pelo menos poderia evitar os clichês das comédias românticas açucaradas. 

Alysson Oliveira


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