A vida invisível

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Sinopse

Rio de Janeiro, 1950. Eurídice, 18, e Guida, 20, são duas irmãs inseparáveis que moram com os pais em um lar conservador. Ambas têm sonhos: Eurídice, o de se tornar uma pianista profissional, e Guida, o de viver uma grande história de amor. Mas elas acabam separadas pelo pai e forçadas a viver longe uma da outra. Elas irão lutar para tomar as rédeas dos seus destinos, enquanto nunca desistem de se reencontrar.


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Crítica Cineweb

07/08/2019

Em seu oitavo longa, o diretor Karim Ainouz, adaptando o romance A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Martha Batalha, o faz com imensa liberdade e poder de reinvenção. Para o sucesso da empreitada, conta com a visceral cumplicidade de suas protagonistas, Eurídice (Carol Duarte) e Guida (Julia Stockler), as duas irmãs que simbolizam tantas das múltiplas faces da feminilidade em perigo, esgarçada por regras, costumes, morais e preconceitos que abatem, em sua época, tantas possibilidades de auto-expressão e livre arbítrio. 
 
Amparado num roteiro em que divide a autoria com Inês Bortagaray e Murilo Hauser, o diretor esculpe diversos aspectos da repressão ao feminino, numa história ambientada no Rio de Janeiro, em 1950, à qual não falta um mergulho no mundo dos imigrantes radicados no Brasil. 
 
Eurídice (Carol Duarte) e Guida (Júlia Stockler), são duas jovens, filhas de conservadores e rudes pais portugueses, Manuel (António Fonseca) e a submissa Ana (Flávia Gusmão). A ligação profunda das duas irmãs, de personalidades complementares – Eurídice, mais tímida, Guida, mais ousada - é rompida brutalmente quando Guida se envolve com um marinheiro grego, Yorgos (Nikolas Antunes), e parte.
 
Toda a expectativa do cumprimento de um destino convencional na época, que prevê marido e filhos, recai sobre Eurídice, que tinha outros planos. Pianista de talento, ela se preparava para um exame que a levasse ao Conservatório de Viena. Mas o sonho fica truncado pela conveniência de um casamento com Antenor (Gregório Duvivier), funcionário do Correio e filho de um amigo da família.
 
Humorista refinado e bom ator, Duvivier injeta em seu personagem tacanho uma humanidade e até um certo afeto de que ele é desprovido no livro. Esta é uma das muitas liberdades a que o diretor, felizmente, se permite, fazendo a história multiplicar-se em muitas direções. Há, em torno das duas protagonistas que, separadas, se procuram, um núcleo de atrizes fenomenais, cujo nome, a partir de agora, teremos que anotar em nossas agendas: caso de Bárbara Santos (como Filomena, figura essencial no futuro de Guida) e Flávia Gusmão (dona Ana), sem contar a participação especial da experiente Maria Manoella (Zélia), transformada por um penteado e maquiagem que escondem seus traços. Na porção final, Fernanda Montenegro comparece, numa participação luminosa que aumenta a voltagem da emoção. 
 
Distinguido pelo principal prêmio da seção Un Certain Regard - inédito para um filme brasileiro - em Cannes 2019 e representante do Brasil para disputar uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro em 2020, A Vida Invisível é um filme grandioso, uma obra sublime que não só expõe o sufocamento das mulheres no Brasil dos anos 1950 como foge do maniqueísmo também ao humanizar os homens que julgam ser seu dever manter estas estruturas patriarcais que, finalmente, também a eles desumanizam e oprimem.

Encharcada de tons vermelhos e verdes, a fotografia da francesa Hélène Louvart é a moldura ideal de uma história em que as sutilezas somam intensidade, evidenciando o ritmo dramático preciso do diretor nesta sua maturidade serena, mas também inquieta. A vida invisível é um primor em suas elipses, em seus não-ditos, em seus saltos temporais, sem que nada se perca, nada sobre fora do lugar e nenhuma pieguice se infiltre. Karim compõe aqui seu melodrama magistral. É o nosso Almodóvar tropical, temperado por um toque do germânico Fassbinder, sem descolar-se da nossa trágica brasilidade.  

Entrevista: Karim Aïnouz discute a condição feminina no Brasil dos anos 1950

A Vida invisível concorre ao Independent Film Awards

Neusa Barbosa


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