Brinquedo assassino

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Sinopse

No aniversário de seu filho, Karen o presenteia com o boneco de seus sonhos, o simpático Buddi. Mas o brinquedo, possuído pelo espírito de um assassino, cometerá crimes hediondos.


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Crítica Cineweb

06/08/2019

Para que o novo Brinquedo assassino funcione é preciso tomá-lo pelo seu valor nominal: uma crítica sangrenta (e de gosto duvidoso, em alguns momentos) à sociedade de consumo mediada pela tecnologia. O diretor norueguês Lars Klevberg e o roteirista Tyler Burton Smith, que assumem o projeto (o criador original do filme de 1988 se distanciou desse reboot, e está planejando uma série de televisão) driblam as questões de copyright (o boneco, por exemplo, não é exatamente igual ao original), e recriam a história para os millennials. Por isso o que se tem é um boneco todo tecnológico, conectado à empresa que o produz, que comanda toda a casa.
 
É uma premissa menos explorada do que poderia, mas, enfim, está lá, e o filme começa com uma propaganda desta corporação, Kaslan, anunciando Buddi, o boneco que toda criança merece ter como amigo. Às vésperas do lançamento de Buddi 2 (com mais opções étnicas, não apenas de olhos azuis e cabelos ruivos) ocorre uma histeria de consumo. Quando uma mulher devolve um exemplar defeituoso da nova geração (“Os olhos ficam vermelhos”, reclama ela), a funcionária da loja, Karen (Aubrey Plaza, aqui renegada ao papel de mãe, sem poder explorar sua conhecida veia sarcástica), acaba pegando-o para o seu filho, Andy (Gabriel Bateman).
 
O garoto que já é um adolescente até acha estranho ganhar um boneco, mas toda a tecnologia do brinquedo desperta o interesse do protagonista. Como o original, o brinquedo (dublado por Mark Hamill, com direito a uma piada envolvendo Star Wars) se autodenomina Chucky, mas, ao contrário do seu antecessor, não está possuído pelo espírito de um assassino. Suas maldades ocorrem por causa de uma programação feita por um funcionário descontente na fábrica no Vietnã onde foi montado.
 
Esse Chucky é estranhamente afeiçoado a Andy, a ponto de cometer crimes escabrosos – o sangue, como é de se esperar, jorra por aqui – em nome dele. Mas isso não é mostrado logo, demora para que Andy e seus amigos (conquistados apenas por causa do boneco) percebam como a criatura é do mal.
 
Há três décadas de violência, terror e 6 longas da série (alguns com noiva e filho) separando o Chucky original desse. E aqui, mesmo não existindo o mesmo charme da tosquice do original, o filme, estranhamente, funciona – especialmente para quem desconhece os outros – cumprindo o que promete.

Alysson Oliveira


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