Não mexa com ela

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Sinopse

Orna é uma mãe de família que retoma a vida profissional quando a família está apertada de dinheiro. Ela consegue um emprego numa empreendedora imobiliária e logo se destaca por sua competência. Nada disso, no entanto, impede de seu chefe de assediá-la.


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Crítica Cineweb

05/08/2019

Não mexa com ela é um filme angustiante – especialmente porque situações como as retratadas aqui acontecem diariamente desde sempre. Dirigido pela documentarista israelense Michal Aviad, em seu segundo longa de ficção, este é um filme que só poderia acontecer numa época que o Movimento #MeToo abriu as portas e escancarou os comportamentos abusivos contra as mulheres.
 
Orna, interpretada pela excelente Liron Ben-Shlush, é uma mulher proativa, cheia de sonhos e entusiasmo em retomar sua carreira depois do nascimento de três filhos. Mais do que isso, ela precisa do trabalho, pois o restaurante que seu marido Ofer (Oshri Cohen) acabou de abrir não cobre os gastos da família. Ela arruma um emprego numa empreendedora imobiliária, em que seu chefe é o próprio dono da empresa, Benny (Menashe Noy). Não demora muito, ela começa se destacar; assim como não demora muito e o patrão faz seu primeiro avanço contra ela. Ele a beija, pede desculpas e, como todo assediador, diz que isso não irá repetir. Orna sabe, nós sabemos, que isso irá se repetir, e ficará pior.
 
Mas ela se sente atada: precisa do trabalho e o salário é bom. Trabalhando com um roteiro escrito por ela e Sharon Azulay Eyal e Michal Vinik, a diretora constrói o filme em cima de uma tensão constante: Orna não pode abandonar o trabalho, ninguém acreditaria nela se denunciasse o chefe abusivo, e precisa fingir que está tudo bem. Porém, a situação está cada vez pior e os avanços de Benny, cada vez mais abusivos. Tudo se agrava numa viagem a trabalho a Paris, onde se hospedam no mesmo hotel.
 
Fincado no realismo, Não mexa com ela nunca procura saídas fantasiosas para a situação extrema. Por isso mesmo, é doloroso. Acompanhamos pelos olhos de Orna sua trajetória de abuso, silenciamento e, por fim, se autoculpar de algo que não é sua culpa. As cenas em que a protagonista tenta se abrir com a mãe são especialmente dolorosas. Da pessoa que ela deveria encontrar apoio, recebe mais sentimento de culpa.
 
O filme tem duas grandes performances, de um lado Ben-Shlush, como a mulher que vai perdendo a saúde física e mental diante do abuso sistemático, e, de outro, de Noy, como o algoz sutil, capaz de colocar sua vítima numa situação tão ambígua que ela cogita se realmente não o encorajou para abusar dela. O marido, por sua vez, consegue converter a situação de abuso – quando finalmente ela consegue se abrir com ele – em algo que o transforma em vítima.
 
Não mexa com ela é um filme de denúncia social que poderia facilmente cair numa panfletagem inócua. Mas Avid constrói sua narrativa como uma espécie de suspense, permitindo acompanhar sua protagonista do ponto de vista dela. É impossível não se solidarizar com Orna. Sua jornada, assim como o filme, tem tons universais, colocando uma situação de abuso como um testemunho em primeira pessoa. 

Alysson Oliveira


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