Os dois filhos de Joseph

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 1 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Depois da morte de seu irmão, Joseph tenta abandonar a medicina e tornar-se escritor, mas não tem o menor talento. Seus filhos Joachim e Ivan, até apoiam o pai, mas a família entra numa séria crise nesse momento.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

23/07/2019

Vincent Lacoste é um dos jovens atores franceses mais interessantes de sua geração. Com menos de 30 anos e um currículo respeitável, ele tem se especializado em fazer tipos melancólicos e sem rumo – seja em Amanda ou em Primeiro ano, no qual interpreta um aspirante a médico. Em Os dois filhos de Joseph, ele é Joachim, novamente, estudante de medicina (embora mais velho do que o do outro filme), um tanto entediado, cínico e perdido na vida.
 
Ele é o filho mais velho do médico Joseph (Benoît Poelvoorde). Seu irmão caçula é Ivan (Mathieu Capella), um garoto de 12 anos, enfrentando as primeiras confusões da adolescência. O menino tem o pai e o irmão como referências de vida e masculinidade, mas como lidar com a crise quando percebe que nenhum dos dois é o modelo que ele pensava em seguir? Esse é o mote de filme, que marca a estreia do ator Félix Moati (Um banho de vida) na direção de longas.
 
Escrito por Moati e Florence Seyvos, o roteiro é uma investigação sobra a dinâmica dos afetos entre um pai e seus filhos num mundo em que os homens sistematicamente aprendem a não mostrar seus sentimentos. Talvez esteja exatamente nesse sufocamento a origem dos problemas de relacionamento entre o trio. A trama é narrada do ponto de vista do jovem Ivan, que não é capaz de compreender tudo o que vê, mas isso faz parte de seu processo de amadurecimento, de autodescoberta.
 
A relação entre o pai e os filhos é mais terna do que tensa, embora pautada por silêncios, por gestos feitos sem que os outros saibam. Mais de uma vez, Joachim tenta proteger seu pai de decepções – Joseph acredita que deve abandonar a carreira como médico e ser escritor, mas seu romance é, no mínimo, medíocre. Mas o filho, por fazer as coisas na surdina, nem sempre recebe o crédito pelas suas boas ações e, vez ou outra, é acusado de egoísmo.
 
A figura feminina que se destaca na trama é Esther, interpretada pela luminosa Anaïs Demoustier. Professora de latim de Ivan, ela se envolve com Joachim, que nem num relacionamento amoroso consegue entrar de verdade, porque não consegue superar as lembranças de sua ex-namorada.
 
Muitas das cenas do filme se passam de madrugada, no lusco-fusco, quando talvez a pouca luz permita que os sentimentos entre pai e filhos se desnudem e a sinceridade seja mais forte, possivelmente causada pelas crises de insônia. Moati filma uma espécie de dança da solidão de cada um deles, em busca de si mesmo e do outro, com leveza e sagacidade. A câmera, assinada pelo veterano Yves Angelo (Praça pública, Germinal) parece flutuar pelas ruas de Paris, acompanhando o trio de personagens infelizes à espera de dias melhores. É nessa fluidez das imagens que o filme reverbera a fragilidade das relações humanas.
 
Há algo de François Truffaut e do Woody Allen dos primeiros filmes aqui. A combinação entre a melancolia e a comédia numa exagera em nenhuma das duas pontas, tornando agridoce a mistura dos difíceis processos de aproximação dos personagens centrais. Com sensibilidade e sagacidade, Moati faz uma estreia promissora sobre um universo, o masculino, nem sempre explorado com tanta honestidade no cinema. 

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança