O professor substituto

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Sinopse

Pierre está terminando sua tese sobre Franz Kafka e assume as aulas num colégio de elite, depois que o professor de literatura se mata. O substituto terá problemas com uma classe de alunos precoces que não acreditam em sua competência.


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Crítica Cineweb

10/07/2019

O fantasma de Kafka ronda O professor substituto de ponta a ponta. Não apenas porque o personagem-título, Pierre (Laurent Lafitte), está escrevendo uma tese sobre o escritor tcheco ou por causa das baratas que aparecem na casa dele, e sim porque este é um filme sobre mutações, sobre jovens estudantes de elite transformando-se em outras criaturas – de maneira metafórica, é claro.
 
Pierre assume as aulas de literatura num colégio depois que o professor titular se atira da janela durante uma prova. Quando o substituto chega, é recebido por um grupo de alunos precoces e desconfiados: ele está à altura deles? Os rapazes e garotas que formam a pequena classe especial são de extrema inteligência, estão avançados nos estudos e se preparam para o vestibular. Mas há algo de estranho com eles e elas. Bizarramente, lembram os humanos trocados por alienígenas em filmes como Invasores de corpos. Parecem pessoas sem alma, mas dotados de uma cognição assombrosa.
 
O pior de todos é Apolline (a excelente Luàna Bajrami, numa performance assustadora) que não tem papas na língua para questionar o professor substituo, encostando-o na parede e passando a mensamge: "Você não está à altura de nos ensinar". Ela e Dimitri (Victor Bonnel), outro ser assustador cuja delicadeza de feições esconde o que ele tem de mais cruel, são os representantes de classe, o que faz Pierre ter embates diários com a dupla.
 
Esses jovens não são exatamente precoces, parecem adultos incompletos, com algo de muito ruim escondido dentro de si. Dirigido por Sébastien Marnier, o filme se constrói como uma história de zumbi – esses personagens parecem devoradores de cérebro, são vampiros de almas, ou qualquer outra coisa que se consiga nomear –, aproximando-se também de uma distopia. E a metamorfose deles e delas está cada vez mais próxima de se completar.
 
Eles sentem que a escola é um ambiente de opressão que, por mais liberdade que lhes dê, está sufocando sua genialidade. Para evoluírem cada vez mais, o pequeno grupo se reúne depois da aula para práticas cujo objetivo é fortalecê-los. Cada novo acontecimento torna O professor substituto mais intrigante, especialmente depois que o próprio Pierre começa a receber ligações anônimas.
 
Trabalhando a partir de um romance de Christophe Dufossé, o diretor sabe construir um clima de pesadelo cada vez mais inexplicável e pavoroso. Infelizmente, parece sentir-se na obrigação de elucidar o mistério completamente – não precisava tanto. E, o que é pior, a resolução é um tanto frustrante. Ao erguer uma narrativa tão bem articulada, esperava-se, já que é para explicar tudo, algo mais impressionante. 

Alysson Oliveira


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