Bacurau

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País


Sinopse

Na cidadezinha de Bacurau, perdida no sertão, num futuro próximo, os moradores estão sendo amedrontados pelos ataques de misteriosos atiradores. O prefeito local não resolve nem essa, nem outras mazelas, como a falta d'água e a distribuição de remédios, que ele manipula. Diante de tudo, a comunidade dispõe-se a organizar a própria resistência.


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Crítica Cineweb

08/07/2019

Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, inédito para o cinema brasileiro, Bacurau é um filme estranho, que revisita gêneros, embaralha referências, mas fala de mal-estar, de uma comunidade de gente trabalhadora assediada por matadores, políticos desonestos e toda série de males, mas preserva uma integridade na sua união e na resistência. O prêmio foi dividido com o francês Les Misérables, de Ladj Ly.
 
Nesta distopia ambientada no sertão pernambucano num indefinido futuro próximo, mesclam-se os climas de drama social, suspense, terror, com referências abundantes aos filmes de cangaço e até ao Cinema Novo, inclusive na música (com direito a citação ao compositor Sergio Ricardo).
 
Por todos estes sinais e referências que embaralha, Bacurau se apresenta como uma crônica do desconforto, como um filme que pretende desafiar o espectador a se entregar ao que não decifra e seguir junto - o que é a mais legítima aspiração de qualquer cineasta. Não é uma obra de certezas, narrativas ou não, este relato da saga da cidadezinha de Bacurau, assolada por uma série de tragédias: falta d’água, desabastecimento de alimentos e remédios, abandono e chantagem do prefeito desonesto, ataques misteriosos de atiradores desconhecidos. Diante disso, a comunidade, diversa e plural em todos os sentidos, se mobiliza para resistir, tendo o mesmo peso a figura de um professor, Plínio (Wilson Rabelo), de um ex-matador, “Pacote” (Thomas Aquino), uma neo-cangaceira trans (Silvero Pereira) e a médica local (Sonia Braga)- desta vez, num papel menor do que em Aquarius, mas igualmente marcante. A sequência em que ela encara Michael (Udo Kier), o líder dos matadores forasteiros, é de antologia em sua estranheza, seu humor ferino.
 
Na coletiva de imprensa em Cannes, o veterano alemão Kier, que é conhecido por inúmeros papeis de vilão, foi extremamente caloroso ao descrever esta que foi sua primeira experiência brasileira. “Foram três semanas no paraíso. Nunca vou esquecer”, disse, ironizando o fato de não ter sido apresentado “às praias, aos drinks e às garotas e garotos bonitos”, os clichês normalmente associados à imagem do Brasil no exterior.
 
Desta vez, ao contrário de Aquarius, exibido em competição em 2016 por aqui, não houve faixas de protesto político por parte da equipe do filme brasileiro. Perguntado sobre isso na coletiva, Kleber Mendonça destacou ter “orgulho dos protestos que fizemos em 2016” (que eram contra o impeachment e contra Michel Temer). Falando das manifestações ocorridas em maio em todo o Brasil em defesa da educação, o diretor manifestou seu apoio, comentando que “numa democracia, é importante demonstrar sua insatisfação”. E completou, considerando “muito forte que estejam todos estes filmes brasileiros aqui, na competição, no Un Certain Regard (que finalmente foi vencida pelo drama A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Karim Aïnouz), que eles estejam surgindo neste momento em que se tenta esconder e destruir a cultura no Brasil”.
 
O co-diretor Juliano Dornelles, por sua vez, celebrou a coincidência da première do filme em Cannes e da jornada de protestos no Brasil. “Achei muito interessante essa coincidência. A gente aqui, eles todos lá, estamos, cada um à sua maneira, lutando para não deixar que destruam o que foi conquistado”. E completou: “Acho que o filme diz, de forma fantasiosa, muita coisa sobre nosso País”.

Neusa Barbosa


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