Ted Bundy - A irresistível face do mal

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 4 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Liz parece ter encontrado o homem dos seus sonhos: charmoso, gentil e fazendo o papel de pai para a filha dela. Porém, logo descobrirá que, por trás da máscara de bom homem, há um assassino cruel. Filme baseado no livro de memórias da ex-namorada do psicopata Ted Bundy.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/07/2019

Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal é um filme impressionante, que se assiste de maneira quase compulsiva, o que não quer dizer que seja especialmente bom, ou, ao menos, não tão bom quanto poderia ser. A questão central que levanta é: como um sujeito com feições tão sedutoras, um jeito quase angelical, foi capaz de matar tantas mulheres sem que ninguém se desse conta disso? O diretor Joe Berlinger se esforça para tentar responder à questão, mas, aparentemente, a resposta é complexa demais para ele dar conta. Por outro lado, conta com uma performance inesperada e assombrosa (em vários sentidos) de Zac Efron.
 
Talvez não houvesse ator mais adequado para representar Bundy no cinema, um serial killer que ficou famoso no final dos anos de 1970 e começo dos anos de 1980, dono de um charme irresistível (garotas iam ao julgamento só para vê-lo), mas, mais do que isso, possuidor de um senso de espetáculo que soube usar até certo ponto em seu favor. No tribunal, ele fez um show, aproveitando-se das câmeras que transmitiam em tempo real e rede nacional. Ele era acusado do assassinato de duas estudantes e tentativa de homicídio de várias outras. Suas dezenas de crimes ainda não tinham vindo à tona.
 
São esses momentos em que a sociedade do espetáculo encontra os filmes de tribunal, baseado em John Grisham, que Ted Bundy cresce. Berlinger não atrapalha e deixa Efron brilhar de maneira assustadora. Nós, público, vemos o filme com a vantagem de saber como tudo terminou, e que ele realmente era culpado daqueles crimes e de outros, colocando-nos numa posição privilegiada em relação aos outros personagens – muitos, afinal, deixaram-se levar pelo charme e lábia do matador. Esse é um estratagema que o diretor não sabe aproveitar. A narrativa é contada do ponto de vista de uma ex-namorada dele, Elizabeth Kendall (Lily Collins) – cujo nome real é Elizabeth Kloepfer, e autora do livro no qual o filme é baseado –, cujo comportamento transita entre a incredulidade e a necessidade de estar com Bundy.
 
Ela ser ingênua e cair na conversa dele, de estar sendo acusado injustamente, é uma coisa; o filme comprar essa ideia é outra completamente diferente. Ao optar por este caminho, Berlinger não mergulha na psicologia de suas personagens – especialmente Liz, Bundy e Carole Ann (Kaya Scodelario), amiga apaixonada pelo protagonista, que também acredita piamente em sua inocência e acaba engravidando dele durante o julgamento (sim, a história é impressionante).
 
É um trio de personagens que conta com o ator e a dupla de atrizes empenhados, esforçando-se em trazer nuances ao trio de uma maneira que o filme em si nunca consegue captar plenamente. Em outras palavras, o elenco está disposto a levar o filme a um patamar que o diretor não consegue atingir. Talvez a figura mais intrigante aqui seja Carole Ann, apaixonada por Bundy por anos, e que se tornou sua única companheira quando Liz o abandonou. Essa personagem, por sua vez, vai se esvaziando, tornando-se repetitiva em sua descida ao inferno regado pelo álcool, virando praticamente uma coadjuvante - o que é estranho porque, quando o filme começa, a história é sobre ela.
 
Bundy é outro personagem que merecia mais complexidade. Sabemos pouco sobre ele na tela – apenas seus atos mais escabrosos. Quem é ele? De onde veio? Por que fez o que fez? Ao colocar a narrativa filtrada pelo olhar de Liz, o filme evita ir além das informações já bastante conhecidas. De qualquer forma, a construção da narrativa extrai tensão e coloca em cena os absurdos da vida de Bundy – como suas fugas – e do seu showzinho no tribunal, presidido por um juiz interpretado por John Malkovich.
 
Berlinger é um documentarista premiado – foi indicado ao Oscar em 2011 por Paradise Lost 3: Purgatory -, e também diretor da série documental Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy (disponível na Netflix). Em seu currículo, apenas uma ficção, o malfadado A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras, e agora Ted Bundy. Ele poderia ter deixado sua veia documental falar mais alto aqui. Certamente, traria mais complexidade ao filme e ao retrato que pinta dessas figuras reais. 

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança