It: Capítulo 2

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Sinopse

Vinte-e-sete anos depois das mortes provocadas pela Coisa, os personagens que o enfrentaram quando crianças, agora adultos, terão com ele um novo confronto.


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Crítica Cineweb

03/09/2019

It: Capítulo 2 é um filme que não nega suas origens – um romance de mais de mil páginas de Stephen King, trazendo para a tela o que há melhor e pior na obra do escritor americano. A começar pela indulgência de quase três horas aqui – se somadas à primeira parte, It: A Coisa, são mais de 300 minutos (e o diretor, o argentino Andy Muschietti, promete uma super-versão unidos os dois longas) – que nunca se justificam, resultando num filme excessivamente didático e reiterativo, com flashbacks deslocados – o que parece uma tentativa de dar mais espaço ao elenco juvenil do primeiro longa.
 
Mas também há, é claro, os elementos positivos que King é capaz de criar como ninguém – seja em sua imaginação na qual o macabro e o lúdico andam de mãos dadas, ou no retrato da perda da inocência e passagem para a vida adulta, um tema recorrente em sua obra. Dessa maneira It: A Coisa e It: Capítulo 2 são o ponto alto na crônica dessa transformação.
 
Os jovens personagens saíram de Derry, no Maine, e ganharam o mundo uns com mais sucesso do que outros, e estranhamente se esqueceram dos fatos ocorridos 27 anos atrás que marcariam a vida de qualquer um: enfrentar uma criatura demoníaca devoradora de crianças, capaz de adquirir várias formas, mas mais comumente de um palhaço, chamado Pennywise, e interpretado com verve pelo dinamarquês Bill Skarsgård.
 
Bill (James McAvoy), cujo irmão caçula é vítima do palhaço no prólogo do primeiro filme, nunca superou o episódio e ainda é consumido pela culpa. Ele se tornou escritor e roteirista, e a reclamação que sempre ouve é de que seus romances são bons, mas com finais sempre ruins – uma piscadela de King para seus detratores; há ainda outra numa cena em que o próprio escritor faz uma ponta, sem mencionar referências claras a O iluminado e Carrie – A estranha.
 
Beverly (Jessica Chastain) tem uma marca de roupas famosa, mas sofre abuso nas mãos do marido violento, que repete o comportamento do pai dela. Richie (Bill Hader) é um humorista de sucesso, Eddie (James Ransone) se casou com uma mulher parecida com sua mãe, com o mesmo comportamento sufocador, e Ben (Jay Ryan) surpreende a todos com seu novo porte físico.
 
Todos recebem um chamado de Mike (Isaiah Mustafa) avisando que Pennywise está de volta, e precisam derrota-lo definitivamente, pois, do contrário, continuará matando pessoas e sequestrando crianças. A primeira vítima aqui é interpretada pelo diretor francês Xavier Dolan, numa cena assustadora de homofobia – no romance, inspirada num caso real ocorrido no Maine em 1984 – no qual o palhaço aparece para terminar o serviço de um grupo de homofóbicos. É um começo estranho para o filme, dado que o evento nunca é retomado, e os criminosos somem sem punição. Um balão vermelho e as palavras “de volta ao lar”, pichadas numa ponte, são o suficiente para convencer o Clube dos Perdedores de que a criatura maligna está de volta, e terão de enfrenta-la.
 
Antes disso, porém, o roteiro de Gary Dauberman irá evitar o confronto ao máximo de tempo possível para manter apenas o grupo em cena, com direito a diversos flashbacks, que raramente se justificam, quebrando o ritmo da trama e transformando momentos do longa em algo bastante reiterativo ou didático, parecendo ter apenas a função de lembrar quem já se esqueceu do filme anterior. Há também um personagem completamente dispensável: Henry (Teach Grant), o garoto que fazia bulluing com os Perdedores, matou o pai policial, foi parar num manicômio e que foge com ajuda de Pennywise. No livro, ele pode fazer mais sentido, mas aqui sua presença é gratuita e mal resolvida.
 
A verdade é que com um material tão extenso, Muschietti podia ter pensado numa série, ao invés de testar a paciência das pessoas no cinema. O ritmo irregular seria facilmente corrigido com um filme mais curto, mais direto ao ponto, sem se achar tão precioso a ponto de chegar a quase três horas sem muitas surpresas. Não é difícil saber como tudo isso irá acabar – e nem precisa ter assistido ao primeiro filme para se imaginar o clímax.

Alysson Oliveira


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