Cyrano mon amour

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País


Sinopse

Na Paris do final do século XIX, Edmond Rostand é um poeta e dramaturgo fracassado que não tem dinheiro para pagar as contas. Ainda por cima, precisa escrever uma peça em três semanas. Quando começa a ajudar um amigo a declarar-se para a amada, surge o mote para sua obra mais famosa: Cyrano de Bergerac.


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Crítica Cineweb

24/06/2019

Cyrano mon amour poderia muito bem chamar-se Rostand apaixonado, em referência ao oscarizado Shakespeare apaixonado. O premiado filme de John Madden de 1998 serviu mesmo de inspiração para o dramaturgo franco-britânico Alexis Michalik criar uma peça de sucesso – ganhadora de 5 prêmios Moliére (o principal do teatro francês) e em cartaz na França desde 2017 – que por sua vez inspirou-se no dramaturgo e poeta Edmond Rostand e seu personagem mais famoso, Cyrano de Bergerac.
 
Embora Rostand não seja propriamente um nome muito conhecido (ao menos, para quem não é ligado a teatro), seu personagem certamente o é. O dramaturgo o criou aos 29 anos, em 1897, e a figura já apareceu diversas vezes no cinema, sendo as mais famosas encarnadas por Gérard Depardieu e Steve Martin. Michalik, em sua obra, imagina as condições em que o poeta inventou a peça.
 
Thomas Soliveres interpreta Rostand, na Paris do final do século XIX. Ele enfrenta um fracasso quando sua peça, apesar de contar com Sarah Bernhardt (Clementine Celarie), é cancelada depois de poucas apresentações. Sem rumo na vida ou na carreira, e com dificuldade para sustentar a mulher (Alice de Lencquesaing) e os filhos pequenos, tudo muda quando ele conhece o famoso ator Constant Coquelin (Olivier Gourmet, tão bem nessa comédia como nos dramas pelos quais é mais conhecido), que está em busca de um novo papel no teatro.
 
Rostand tem poucas semanas para conceber uma peça, e conta com ajuda de Honoré (Jean-Michel Martial), o erudito dono de um café. Enquanto tenta escrever a obra, ajuda um amigo que é ator (Tom Leeb), este apaixonado por uma camareira (Lucie Boujenah), mas que, como ele próprio admite, é “bonito e burro”, incapaz de a conquistar com as palavras. Por isso, o dramaturgo lhe sussurrará frases bonitas para seduzir a amada. Nesse processo, o próprio protagonista também se apaixona pela moça e, voilà, Cyrano de Bergerac está criada.
 
Michalik combina, então, elementos da peça famosa com uma fantasia sobre esse episódio na vida de Rostand. O resultado, embora até previsível, com aquele tipo de coisas que só acontecem no cinema, é bastante cuidado tecnicamente e divertido. Mathilde Seigner, como uma diva que contracena com Coquelin, é mais um nome competente no elenco, que combina personagens fictícios com figuras reais, como o dramaturgo Georges Feydeau (interpetado pelo diretor), o escritor russo Anton Chekhov (Micha Lescot) e Georges Méliès (Arnaud Dupont).
 
A Paris do filme é uma cidade de efervescência cultural, onde o cinema está nascendo – Edmond vai a uma das apresentações dos filmes de Méliès e decreta que o teatro morrerá. A fotografia de Giovanni Fiore Coltellacci transforma esse cenário em algo que beira a fábula, a fantasia - e não é de se espantar, afinal, essa é uma história sobre o triunfo do sonho.
 
Cyrano mon amour é um filme adaptado de uma peça de teatro sobre uma peça de teatro e dirigido por um dramaturgo, porém está bem longe de ser teatro filmado. No fundo, não deixa de ser uma carta de amor à arte teatral e à resiliência dos atores, atrizes, dramaturgos e dramaturgas e todas as equipes técnicas que a fazem sobreviver e se reinventar há séculos.

Alysson Oliveira


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