Relatos do front - Fragmentos de uma tragédia brasileira

Ficha técnica

  • Nome: Relatos do front - Fragmentos de uma tragédia brasileira
  • Nome Original: Relatos do front - Fragmentos de uma tragédia brasileira
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 95 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Renato Martins
  • Elenco:

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País


Sinopse

Documentário aborda a crise da segurança pública no Rio de Janeiro, ouvindo especialistas, policiais, juízes e cidadãos comuns.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/06/2019

Relatos do front, de Renato Martins, é o tipo do documentário que chega na hora certa para lembrar que não há nada mais urgente no Brasil do que uma agenda de redução dos homicídios. Foram mais de 50.000 no país em 2018.
 
O foco do inquietante documentário está no Rio de Janeiro, há vários anos epicentro de uma política de enfrentamento e guerra na questão da segurança pública que não tem dado sinais de progresso - nem mesmo a midiatizada intervenção militar de 2018, ao custo vistoso de R$ 2 bilhões, teve muito a comemorar no encaminhamento de soluções duradouras de um embate que envolve polícia, exército, milícias, traficantes, tendo no meio do fogo cruzado a população civil, com vítimas fatais de todos os lados.
 
O documentário acompanha diversas ações policiais nas comunidades e favelas, palco preferencial de ações espetaculares, que envolvem armamento pesado, dezenas ou centenas de homens, montando um cenário de guerra - como na primeira cena, que mostra uma vítima fatal, Rafael, adolescente de 16 anos, colhido por uma bala perdida numa manifestação no Complexo do Alemão.
 
Crianças e adolescentes são, aliás, baixas frequentes nesta batalha incessante - segundo dados do filme, são mortas 30 pessoas desta faixa etária todos os dias no Brasil. Número assustador, entre vários outros, a sinalizar que o discurso bélico das autoridades e a chamada “guerra às drogas” parecem estar rodando em círculos, com uma eficiência comprovada apenas para matar às cegas, sem chegar ao centro dos problemas.
 
Com muito mais dinheiro alocado na repressão do que na educação - ainda que o custo médio de um aluno na rede pública seja muito menor do que o de um presidiário no sistema prisional -, especialistas em segurança, juízes, militares, policiais e cidadãos comuns falam sobre a gravidade desta situação. As autoridades matam muito - em 2017, a polícia carioca matou mais de 1.000. Também aumentou o número de policiais mortos: 769 em 7 anos. A polícia que, como lembra o cientista político Luiz Eduardo Soares, não pode investigar, só prender, virou refém de apresentar um saldo operacional que se materializa, não raro, neste empilhamento de cadáveres, espetacularizado pela mídia.
Também temos a terceira população carcerária do mundo, 769.000 prisioneiros, atrás apenas dos EUA e da China.
 
As raízes do problema, como lembram especialistas, são históricas. Afinal, no Brasil-colônia, a primeira instituição a chegar foi a polícia, a repressão. Um aparelho de Estado que abrangesse lei e cidadania só chegaram muito depois. Todo esse aparelho estatal, como defende o sociólogo Jessé de Souza, construiu-se em torno do temor aos escravos e aos pobres, criando uma política de brutalidade permanente contra as camadas populares que perdura até hoje. A brutalidade cria inimigos. Crianças de comunidades, que cresceram levando tapas na cara de policiais em operações, alimentam um ódio que se desafoga em enfrentamentos, fatais para ambos os lados.
 
O que pode, afinal, criar uma trégua nesta guerra que leve a soluções mais racionais e permanentes? O armamentismo proposto pelo atual governo federal e estadual no Rio, certamente, não é um deles. O juiz Marcelo Barbosa acredita que os milicianos, inclusive, hoje são um problema ainda maior do que os traficantes, constituindo um poder paralelo que atua nas margens do sistema. Há quem veja necessidade de um “acordo geral” entre as partes, em que se negocie algo em troca de uma deposição de armas e suspensão da violência. Nenhuma saída passa longe da educação e da inclusão social, assim como do treinamento dos policiais. Em suma, é preciso passar o país a limpo, o que inclui todas as instituições.

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