Betty Fisher e Outras Histórias

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Crítica Cineweb

15/01/2003

A capacidade de reprodução da espécie muitas vezes é inversamente proporcional a capacidade do ser humano de criar seus rebentos. Nem toda mulher fisicamente saudável resulta numa mãe emocionalmente estável. O diretor Claude Miller traduz em Betty Fisher e Outras Histórias esta complicada relação entre mãe e filha.

A abertura do filme é um flashback que apresenta ao espectador o ataque, com uma tesoura, sofrido por Betty (Sandrine Kiberlain), ainda menina, por sua perturbada mãe, Margot (Nicole Garcia). A partir daí, Miller constrói o filme com pequenas histórias dos inúmeros personagens que se interligam à vida de Betty, numa narrativa, mais amarga, que lembra Short Cuts - Cenas da Vida (1993), de Robert Altman.

Anos depois, divorciada e com um filho pequeno, Betty torna-se uma escritora de sucesso. Acaba de retornar a Paris e recebe a mãe, que vem à cidade para fazer seus exames rotineiros de saúde. Apesar das tentativas de manter um relacionamento comum com ela, Betty sente-se pouco à vontade com Margot, que critica sua maneira de criar o pequeno Joseph.

Durante este período, o menino sofre um acidente e acaba morrendo. Betty entra numa profunda depressão e Margot, perdida em suas confusões mentais, resolve ajudar a filha. Não poderia ser nada pior. Com seu entendimento distorcido do mundo e das relações interpessoais, a mulher simplesmente seqüestra um menino, da mesma idade do neto, para compensar a perda da filha.

Sem conseguir lidar com a loucura da mãe, Betty vai se envolvendo cada vez mais com aquele menino frágil. O caso ganha proporções gigantescas e torna-se o principal assunto dos programas sensacionalistas de televisão. Quando seu ex-marido volta para tentar uma reconciliação, Betty decide que está na hora de deixar todas as confusões para trás.

Sem jamais perder o ritmo, Claude Miller vai intercalando a história de cada personagem envolvido na história. A mãe do menino seqüestrado, Carole (Mathilde Seigner), garçonete de um botequim, onde se reúnem os mais variados marginais. Seu namorado africano, a quem traí constantemente. O suposto pai do filho de Carole, que vive de golpes em viúvas ricas. O dono de hotel que enriqueceu vendendo passaportes falsos.

O diretor consegue tratar de temas complexos como relações interraciais, perdas pessoais, egos descontrolados e preconceitos sociais, de uma maneira delicada e, muitas vezes, com algum humor, sem jamais cair na pieguice. Uma intrigante história sobre instinto maternal num filme adulto que nunca menospreza a inteligência da platéia.

Cineweb-21/12/2002

Ana Vidotti


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