Beatriz

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Ficha técnica


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País


Sinopse

Beatriz e Marcelo são brasileiros e moram em Lisboa. Ela sempre o apoio em seu projeto de ser escritor, mas ele anda sem inspiração, e, por isso, ela se submete a realizar fantasias sexuais com outros homens e mulheres para que seu marido tenha assunto para o primeiro romance que está escrevendo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

29/05/2019

Beatriz é, talvez, um filme que funcione mais como sintoma do machismo estrutural de nossa sociedade do que cinema. Dirigido por Alberto Graça, o longa coloca em cena um relacionamento amoroso abusivo, no qual a mulher se submete a todos os caprichos do marido para que ele tenha inspiração para escrever seu romance. A premissa poderia funcionar se adotasse alguma espécie de olhar crítico a esse tema, mas da maneira como se apresenta é mero exercício de machismo mesmo. Exibido no Festival do Rio em setembro 2015, só quase quatro anos depois o longa chega aos cinemas.
 
A personagem-título é interpretada por Marjorie Estiano – que já teve intepretações melhores como em As boas maneiras – uma brasileira que se muda para Lisboa com o marido, Marcelo (Sergio Guizé). Ele tem um emprego com o qual não está contente, e larga tudo para escrever um romance. A questão é que ele não tem muita inspiração – talvez não tenha talento mesmo, mas isso não é cogitado –, então, ela se submete a todo tipo de fantasias eróticas e jogos sexuais com outros homens e mulheres para que ele possa escrever sobre isso.
 
A visão que o longa tem sobre a personagem feminina aceita essa degradação sem qualquer questionamento. É quase como se fosse algo normal. Esse trama da mulher se sacrificar pelo homem fazendo sexo com desconhecidos alucinadamente nem é muito nova. Duas décadas atrás, Lars von Trier usou o mesmo tema, em Ondas do destino, com resultados bem superiores.
 
Talvez o fato de ser escrito por cinco homens – além do diretor, Marcos Bernstein, Ricardo Bravo, José Carvalho e José Pedro Dos Santos – tenha influenciado (nem que seja num nível inconsciente) o andamento da trama e a visão problemática da personagem feminina. Soma-se a isso uma narração em off da própria protagonista e quase que onipresente que tenta explicar as lacunas do filme, mas pouco faz sentido.
 
Tecnicamente, Beatriz é competente, mas falta bom senso à sua trama, e desenvolvimento de personagens. As supostas motivações nunca convencem. É difícil acreditar que a essa altura da história do mundo, uma mulher como a protagonista se submeteria a esse tipo de abuso emocional e físico. Mas também poderia ser crível (dentro do universo do longa) se o filme conseguisse a desenvolver com mais profundidade, convencendo-nos das suas ações – o que não é o caso aqui. 

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