Anos 90

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País


Sinopse

Stevie está entrando na adolescência e sua vida é um caos: apanha do irmão mais velho, não tem muita atenção da mãe e nenhum amigo. Mas tudo muda quando conhece um grupo de skatistas, e acaba sendo aceito por eles.


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Crítica Cineweb

23/05/2019

Mirando em Paranoid Park e, em certa medida, Kids, o ator Jonah Hill estreia na direção em um filme que imprime ao longo de seus parcos 85 minutos (parece muito mais) os tiques mais comuns do cinema indie americano contemporâneo, tornando difícil esconder que Anos 90 é um filme sem frescor, sem muito a acrescentar, quase um exercício de ego do realizador.
 
O protagonista é Stevie (Sunny Suljic), garoto à beira da puberdade, com hormônios em ebulição, um irmão (Lucas Hedges) que o espanca e a busca incessante de se encontrar no mundo. Sem amigos, ele tenta se encontrar. Embora a relação com o irmão seja tensa, há algo que ele admira no outro. Entra no quarto dele, observa e anota os nomes das fitas K7 e dos CDs. Sem muita noção de si mesmo, o menino é uma tela em branco pronta para receber as tintas mais diversas.
 
Tudo muda quando ele encontra um grupo de skatistas formado por Ray (Na-kel Smith, o que há de melhor no filme), Quarta Série (Ryder McLaughlin), Fuckshit (Olan Prenatt) e Ruben (Gio Galicia). Eles causam fascinação no pequeno Stevie, que se esforça para ganhar o respeito deles e aprender a andar de skate. As duas coisas acabam vindo mais ou menos juntas. Não há exatamente uma trama aqui, mas uma crônica do fortalecimento da amizade desse quinteto diante das pequenas e grandes adversidades que enfrentam juntos ou separados.
 
Stevie mora com a mãe, interpretada por Katherine Waterston, ótima atriz esforçada numa personagem com a qual o filme é extremamente cruel, sem qualquer necessidade disso. Aliás, Anos 90 não sabe muito bem o que fazer com as suas figuras femininas – seja com esta ou com as garotas com quem o quinteto acaba se envolvendo. Que os meninos sejam extremamente machistas faz sentido – especialmente naquele momento que o filme retrata – mas o longa não precisa aderir à essa visão de mundo. E esse é um dos problemas aqui.
 
Hill, que também assina o roteiro, adere sem qualquer distanciamento do material. É um olhar nostálgico e condescendente com os excessos da época a ponto de ser tóxico. É bem provável que ele sinta uma certa nostalgia – a idade do protagonista bate com a do diretor e roteirista – e por isso Anos 90 soa como uma jornada bastante pessoal, que parece, acima de tudo, feita para agradar a Hill.

Alysson Oliveira


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