Inferninho

Ficha técnica


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País


Sinopse

Num bar chamado Inferninho, convivem os tipos mais diversos. O local é comandado pela mão firme de Deusimar, mulher dura, mas sonhadora. Quando chega Jarbas, um marinheiro, tudo se transforma e disputas vêm à tona.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

15/05/2019

Inferninho é o nome de um bar, mas também é um estado de espírito. O filme e o lugar poderiam muito bem se chamar Purgatorinho, pois é nesse estabelecimento que um grupo de personagens fica a espera de algo que mude o seu destino, traga novo fôlego para suas vidas. E quando tudo parecia perdido, eis que chega um marinheiro que realmente irá transformar tudo ali – nem sempre para melhor.
 
Deusimar (Yuri Yamamoto) é a dona do local desde sempre – como ela mesma diz, pois era propriedade da sua avó, passou para sua mãe e agora é dela. Inferninho é frequentado (talvez habitado seja uma palavra mais apropriada) por figuras peculiares: um coelho é o garçom, Wolverine, Super-Homem e Mulher Maravilha também estão lá. Todos assistem aos shows musicais de Luizianne (Samya de Lavor), com sua maquiagem colorida e músicas românticas e são servidos por garçom fantasiado de coelho . É uma harmonia silenciosa na qual figuras que quase parecem estátuas apenas observam.
 
A chega de Jarbas (Démick Lopes), o marinheiro, perturba essa paz, especialmente quando ele e Deusimar se envolvem amorosamente. Esse homem é um mistério, mas seus diálogos com a dona do bar transitam entre o cômico e o tocante. Aos poucos, a pacata estrutura melancólica do Inferninho (do lugar e do filme) vai se transformando. Surgem disputas e tudo fica mais complicado quando aparece um homem (Galba Nogueira) querendo comprar o imóvel, pois será construído uma espécie de parque futurista na região.
 
O filme, dirigido por Guto Parente e Pedro Diógenes – com roteiro assinado pela dupla e o ator Rafael Martins –, poderia tomar os caminhos mais óbvios possíveis a partir daí, e virar, como tanto já se viu, uma espécie de panfleto contra o capitalismo que passa com seus tratores por cima de tudo e de todos – especialmente das populações mais à margem da sociedade. Mas Inferninho é instigante em seus caminhos inesperados com os quais a crítica ao sistema vigente se torna ainda mais eficiente.  
 
É nesse pequeno microcosmo que Parente e Diógenes fazem um diagnóstico do Brasil atual. Essas pessoas precisam se isolar do mundo para poder viver suas vidas. O filme praticamente nunca sai desse cenário, é como se o grupo precisasse viver confinado, e quando alguém sai as consequências podem ser dolorosas. Mas os diretores não são pessimista, e uma nota de otimismo emerge da melancolia. Quando a realidade parece ser dura demais, Inferninho dá vazão à fantasia, e cria uma das sequências mais bonitas do cinema brasileiro protagonizada por Deusimar realizando seu sonho e imagens brilhantes ao fundo. A saída que a dupla de diretores encontra para driblar o orçamento apertado é de extrema criatividade que resulta em belas cenas em sua inventividade e estética.
 
Ao fim, percebe-se que o nome do filme não deveria ser nem Inferninho, nem o sugerido Purgatorinho, mas sim Paraisinho – o lugar onde as pessoas têm a liberdade de ser quem quiserem. O filme faz um belo par com Paraíso perdido, de Monique Gardenberg, lançado no ano passado. Ambos investigam grupos de personagens parecidos, universos bem próximos, mas os longas trabalham em tons distintos, e alcançam belos resultados – especialmente com o carinho que têm por seus personagens, que são pessoas que precisam mesmo de um olhar mais carinhoso nesse momento da história.

Alysson Oliveira


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