Os papeis de Aspern

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Sinopse

Um escritor norte-americano aluga alguns cômodos numa mansão veneziana, onde moram uma mulher e sua tia idosa, que, na juventude, teve um caso com um famoso poeta, por quem o protagonista é obcecado.


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Crítica Cineweb

15/05/2019

Não é preciso ser fiel a uma obra literária para adaptá-la – pelo contrário, é preciso subverter o livro para transformá-lo em filme. Mas também é necessário manter um certo espírito do original, do contrário é melhor contar uma história nova e pronto. O diretor francês Julien Landais é ambicioso, e estreia em longas com um filme baseado numa novela de Henry James, O papeis de Aspern, e a queda é tão grande quanto o intento. Raramente o escritor americano, radicado na Inglaterra, se dá bem no cinema, mas essa é uma das adaptações mais constrangedoras.
 
O pedigree do longa – que inclui Vanessa Redgrave, no elenco, e James Ivory, na produção (este que já adaptou James com resultados relativamente melhores) – não consegue segurar a visão vazia e equivocada de Landais – que assina o roteiro com Jean Pavans e Hannah Bhuiya – sobre o universo jamesiano e transforma Os papeis de Aspern numa historinha de amor e obsessões, narrada por um Jonathan Rhys-Meyers insosso com sotaque americano forçado, no papel do protagonista, o escritor Morton Vint. Aqui, a sofisticação e complexidade da obra original são substituídas por melodrama pegajoso e cenas de sexo softcore.
 
Vint vai à Veneza em busca de informações sobre o poeta Jeffrey Aspern (Jon Kortajarena) e aluga um espaço na gigantesca mansão da idosa Juliana (Redgrave), que teve um caso amoroso com o poeta décadas atrás, e até hoje guarda cartas dele. Quem cuida dela é a sobrinha solteirona, Tina (Joely Richardson), a quem o protagonista tenta seduzir para chegar aos papeis de Aspern.
 
Veneza já foi cenário de grandes filmes aos quais o ambicioso Landais parece querer evocar de Morte em Veneza a Inverno de sangue em Veneza. Aqui, a atmosfera úmida e opressora da cidade não é bem aproveitada, nem sua beleza. O suspense de James é substituído por diálogos declamados lentamente e sem muito vigor, intercalados com cenas de sexo entre Aspern, Juliana (Alice Aufray, que a interpreta nos flashbacks) e um terceiro homem, que sabe-se lá quem é. Tudo enfadonho, e nem é preciso conhecer o original para saber que o filme é uma adaptação ruim, e pronto.

Alysson Oliveira


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