Mormaço

Ficha técnica


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País


Sinopse

Pouco antes das Olimpíadas do Rio, em 2016, Ana, uma defensora pública, ajuda os moradores da Vila Autódromo a defender suas casas, que seriam destruídas para a construção da Vila Olímpica. Enquanto isso, uma misteriosa doença começa a tomar conta de sua pele.


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Crítica Cineweb

01/05/2019

Mormaço é um filme repleto de boas intenções e seu coração no lugar certo, fazendo o registro da transformação de uma cidade e de como isso atinge os moradores de maneira real e alegórica. Dirigido por Marina Meliande, o longa parece seguir uma tendência que vai se materializando no cinema nacional, com a crônica social se tornando, paulatinamente, fantasia até que essa seja a alegoria que dá conta do momento histórico. Já vimos essa estrutura antes nos recentes A sombra do pai e As boas maneiras, entre outros.
 
O cenário é o Rio de Janeiro, e o momento histórico – de onde vem a crítica social do filme – é o período antes das Olimpíadas de 2016, quando pessoas eram tiradas de suas casas para a construção do Parque Olímpico. A protagonista aqui é Ana (Marina Provenzzano), defensora pública que luta contra a remoção dos últimos moradores da Vila Autódromo, comunidade da zona oeste. É uma batalha árdua, quase vã, mas a moça não desiste.
 
Curiosamente, Ana enfrenta um problema parecido. Seu prédio, de classe média alta, é comprado por uma empreendedora que pretende transformar o local em hotel de luxo. Ana e alguns poucos moradores decidem não abandonar seus apartamentos. É claro que o roteiro, escrito por Meliande e Felipe Bragança, está armando um paralelo sutil entre as duas expulsões: a da comunidade, truculenta, com máquinas pressionando os moradores – que se tornam uma espécie de inimigos públicos –, enquanto a do prédio rico é mais delicada, existe uma negociação, e as pessoas que não querem sair de suas casas não sofrem abusos, como o pessoal da Vila Autódromo. É impossível não lembrar de Aquarius quando se pensa no drama de Ana, que resiste a sair do seu apartamento aconchegante e repleto de plantas.
 
Inexplicavelmente, Ana começa a desenvolver estranhas manchas nas suas costas, e consulta o dermatologista mais despreparado do Rio de Janeiro que, diante das feridas impressionantes, sem qualquer exame, diagnostica apenas uma micose. O drama dos moradores da Vila Autódromo, dignos de toda a simpatia pela causa, e admiração por sua resistência e perseverança, vai saindo de cena, conforma e estranha doença de Ana se transforma na protagonista da narrativa. E é de se ressaltar que o trabalho da maquiagem, de Mari Figueiredo, é mesmo impressionante.
 
Nem sempre a transição do realismo para a fantasia é bem resolvida. Mas há interesse naquilo que Mormaço tem a dizer sobre a resistência e as lutas sociais. Na Vila Autódromo, conhecemos Domingas, interpretada por Sandra Souza, uma moradora local que acabou entrando para o elenco do filme, vivendo uma espécie de versão de si mesma. Ela é uma liderança nessa resistência, e uma personagem forte, repleta de potência, que é colocada lado a lado com Ana. O filme, assim, dá não apenas voz, mas chance de protagonismo real a uma parcela da sociedade que nem sempre se vê na tela – e quando se vê, nem sempre se reconhece.

Alysson Oliveira


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