A vida de Diane

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Sinopse

Diane é viúva, tem, 70 anos e vive inteiramente para os outros. Divide seu tempo entre o voluntariado numa associação de atendimento a sem-teto e parentes e amigos com necessidades diversas. Por trás de tudo, ela carrega uma culpa a que não consegue conceder perdão.


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Crítica Cineweb

01/05/2019

Vencedor de três prêmios no Festival de Tribeca 2018 - melhor filme narrativo, roteiro e fotografia -, este drama sutil é feito à imagem e semelhança de sua atriz protagonista, a experiente Mary Kay Place. Conhecida por aparições em filmes como Quero Ser John Malkovich, Garota, Interrompida e diversas séries (A Anatomia de Grey), Mary Kay preenche as lacunas de Diane, uma viúva de 70 anos que extrai as emoções da vida dedicando-se a várias pessoas.
 
No momento, ela se ocupa particularmente de dois familiares: sua prima Donna (Deirdre O’Connell), internada para tratamento de um câncer, e o filho único Brian (Jake Lacy), que alterna bons e maus momentos no enfrentamento do vício por drogas. Tal como uma boa samaritana, ela percorre sem descanso também outros lares, como de um casal de vizinhos idosos em que o marido operou o quadril e das tias idosas. Ainda lhe sobra tempo e energia para trabalhar como voluntária num centro de atendimento a sem-teto, servindo refeições.
 
Estreante na ficção, o diretor e roteirista Kent Jones - parceiro de Martin Scorsese na realização de documentários como Uma Carta para Elia e Minha Viagem à Itália - oferece o palco para que uma atriz experiente como Mary Kay desfie todas as notas de sua sinfonia minimalista, em que as emoções, no entanto, implodem. Pouco se sabe sobre a vida pregressa de Diane e menos ainda se veem seus eventuais desabafos. Por mais que ela esteja cercada de solidão, doença e iminência da morte, Diane bravamente resiste, insistindo em dar seu tempo àqueles ao seu lado, por mais que pareça inútil - como fica mais evidente nos embates com o filho.
 
Em determinado momento, torna-se clara uma culpa escondida sendo inconscientemente expiada em todo este trajeto. A maneira, no entanto, como estes elementos complexos são trabalhados deixam a desejar em certas porções do filme, provavelmente pela inexperiência do diretor com a ficção. Os conflitos com o filho, por exemplo, parecem um pouco acima do tom, exceto a conversa final, que finalmente contempla a complexidade de sua situação. É muito bem-vinda na história a discussão em torno de uma tentativa de imposição religiosa como solução mágica para as complexidades da vida - e Diane, aqui, representa lindamente a resistência contra o fanatismo. Ainda que sua melancolia, talvez, pudesse ser atenuada com  uma leve nuance de humor aqui e ali.

Neusa Barbosa


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